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Economia

Rombo do BRB com o Master pode chegar a R$ 30 bilhões

Número foi citado durante reunião a portas fechadas entre presidente do BRB e deputados distritais, na segunda-feira (2), na Câmara Legislativa do Distrito Federal

Caso Master foi a desculpa que o PL queria para abandonar o governador do DF

A reunião entre deputados distritais e o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Souza, terminou com o receio de que o rombo junto ao Banco Master seja maior do que o divulgado. Fontes que participaram da conversa com Souza afirmaram que o BRB pode ter que arcar com outros R$ 21 bilhões comprados de Daniel Vorcaro.

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Segundo um deputado distrital, Souza não explicou a razão de essas carteiras não estarem sendo estarem sendo compradas. O que se sabia é que o BRB teria que absorver um rombo de R$ 8,9 bilhões em carteiras de títulos podres compradas do Master — a dívida inicial era pouco maior do que R$ 12 bilhões, mas parte desse montante foi devolvido ao banco de Daniel Vorcaro.

Uma das saídas que está sendo discutida é o banco distrital e o governo do Distrito Federal (DF) venderem imóveis para compensar a perda — e foi esse o assunto da reunião entre Nelson Souza e deputados distritais. A venda desses bens depende de aval da Câmara Legislativa do DF, que está discutindo um projeto de lei enviado pelo governador do DF, Ibaneis Rocha.

Outro deputado distrital afirmou que Souza explicou a importância da aprovação do texto dizendo que o projeto de Ibaneis não salva totalmente o BRB, mas mantém o banco “em pé”. Mas é possível que nem esse argumento convença os parlamentares a aprovarem a proposta, pois há um parecer da área técnica do Tribunal de Contas do DF contrário à reconstituição de capital.

A pressa e o efeito

Instituição avalia uso de imóveis do Distrito Federal como garantia para evitar aporte direto do governo (Foto: Creative Commons)

A aprovação da proposta vai além da liquidez da instituição financeira. Os valores afetam também os registros do balanço anual, sempre divulgado em março, e são afetados pelo calendário das Eleições, pois muitas decisões políticas podem ser consideradas crime eleitoral — e Ibaneis Rocha pretende disputar uma vaga ao Senado neste ano.

Um deputado distrital afirmou a O Brasilianista que a reunião foi uma conversa de 12 horas para Souza pedir confiança dos parlamentares, dizer que estava resolvendo os problemas do BRB e prometer que o banco se tornará a maior instituição financeira digital da América Latina.

Porém, afirmou outro deputado distrital, o presidente do BRB disse apenas que esse projeto de expansão digital envolve o Flamengo, sem explicar como será a parceria nem os gastos do banco com contratos anteriores assinados com o clube de futebol.

A escolha

(Crédito: Renato Alves/Agência Brasília)

Nelson Souza foi escolhido por Ibaneis Rocha após um recuo do governador, que tinha como primeira opção para o cargo Celso Eloi de Souza Cavalhero, servidor da Caixa Econômica Federal e superintendente do BRB. Antes de assumir a presidência do Banco de Brasília, Souza presidiu o Banco do Nordeste e os conselhos de administração do BRB e do Banco Pan.

Souza também foi presidente da Brasilcap, do Comitê de Auditoria da Brasilprev e da agência Desenvolve São Paulo no governo João Doria Jr, além de vice-presidente da Elo Cartões e integrante do Conselho de Administração da Alelo S.A.

O cargo de maior destaque de Souza veio no governo Michel Temer, quando foi escolhido para presidir a Caixa. O ex-presidente da República é padrinho político do governador do DF e foi um dos principais fiadores dentro do MDB da campanha de Ibaneis Rocha em 2018. Também teve papel importante para distensionar as relações entre Rocha e o STF após o 8 de Janeiro.

O presidente do BRB e o banco do DF foram procurados por O Brasilianista e não responderam até a publicação.