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Economia

Caso Master: BRB parece não ter liquidez

O governo do DF supostamente pegou R$ 9 bilhões do Orçamento para manter a estatal longe da liquidação

Caso Master: Tribunais de Justiça estão muito preocupados com a situação do BRB

Após o cancelamento do acordo entre o Banco Regional de Brasília (BRB) e a Quadra Capital, a administração da instituição estatal deverá pisar em ovos para evitar uma possível intervenção do Banco Central (BC).

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Assessores da governadora do Distrito Federal (DF), Celina Leão, disseram à reportagem do Uol que quase R$ 9 bilhões do Orçamento distrital foram bloqueados em meio à crise do BRB e Master. Além disso, revelaram que pagamentos autorizados seguem em atraso.

Dessa forma, o BRB estaria operando sem dinheiro em caixa e com patrimônio negativo. O acordo com a Quadra Capital, que garantiria entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões diretamente no banco, seria essencial para que a estatal continuasse gerando negócios, como pagamentos e empréstimos. Por isso, o rompimento deixaria a instituição mais vulnerável.

Essa seria também uma das razões pelas quais o BRB ainda não publicou seu balanço, visto que poderia prejudicar seu estado financeiro com o BC. Caso a autarquia observasse falta de liquidez grave, poderia intervir e decretar a liquidação — o que seria capaz de causar um rombo de R$ 50 milhões ao governo do DF e tribunais brasileiros.

A solução do governo do DF foi depositar valores no banco para garantir crédito diário, que seriam provenientes do Tesouro distrital.

Na última terça-feira (21), a governadora Celina Leão negou o atraso de pagamentos de orçamento após a notícia se espalhar. Durante visita técnica às obras da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Águas Claras, ela alegou que essa informação faz parte de uma disputa política eleitoral “muito pesada”, reforçando que não há atraso por parte do governo.

O Brasilianista procurou o BRB, que não respondeu até a publicação desta matéria.

Liquidação do BRB

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) vai emprestar dinheiro para o BRB para melhorar seus indicadores financeiros após os impactos causados pelo caso Master.

A proposta aprovada prevê um empréstimo ao governo do DF de 16% da Receita Corrente Líquida (RCL) apurada na forma estabelecida na Resolução n. 43/2001, do Senado Federal. O banco brasiliense buscou capitalizar R$ 6,6 bilhões e o apoio do FGC e também de outras instituições financeiras privadas.

No entanto, uma suposta falta de liquidez diária no BRB poderia acarretar em liquidação do banco estatal. Essa possibilidade causaria perdas acima de R$ 50 bilhões entre bancos, governo do DF e tribunais de Justiça.

Somente R$ 20 bilhões seriam necessários para pagar os correntistas e investidores através do FGC, mas a liquidação do Master já comeu aproximadamente mais da metade do total disponível no fundo.

Para Celina Leão, o choque político deve ser ainda maior. Caso o BRB entre em liquidação, ela teria que encontrar R$ 30 bilhões imediatamente para a Justiça.

A quebra do contrato com a Quadra Capital

A formulação do acordo acontecia desde abril, quando o BRB assinou um memorando com a gestora para transferir R$ 15 bilhões em ativos ligados ao banco de Daniel Vorcaro — esse montante representa metade do prejuízo do Master no BRB.

A Quadra faria um aporte entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões e o restante seria convertido em cotas subordinadas de um fundo. Isso faria com que o BRB garantisse caixa no curto prazo, mas seguisse exposto ao desempenho dos ativos do Master, que no futuro seriam vendidos. No entanto, as condições para a operação não foram cumpridas.

Faltaram algumas diligências necessárias no acordo final e mudanças importantes no escopo original estão em fase de análise. Agora, o banco procura encaixar a estratégia com outros participantes.

A relação BRB e Master

O rombo do BRB e busca por recuperação de caixa no curto prazo começaram após uma representação do Banco Central (BC) em julho de 2025 rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os motivos para a recusa, segundo o BC, eram o fluxo atípico de recursos transferidos pelo BRB ao Master nos primeiros meses de 2025, ultrapassando o limite de exposição da estatal.

Daniel Vorcaro comprou a participação no banco Master em 2017, assumiu o controle em 2019 e mudou o nome da instituição para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de alto retorno e risco.

O BC começou a suspeitar das negociações do Master com o BRB ao identificar o aporte de R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco privado não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.

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