O Centro Administrativo de Taguatinga (Centrad) representa mais do que um conjunto de prédios públicos. Ele simboliza uma estratégia de reorganização territorial, desenvolvimento econômico e modernização da gestão no Distrito Federal. Por isso, incluí-lo no pacote de terrenos oferecidos como salvaguarda para tentar tapar o rombo do BRB é um erro grave — urbano, econômico e político.
O Centrad cria um novo eixo de desenvolvimento no DF. Ao deslocar parte relevante da administração pública para Taguatinga, ele fortalece o comércio e os serviços da região e valoriza cidades como Vicente Pires, Águas Claras, Ceilândia, Sol Nascente e Samambaia. Trata-se de uma decisão com impacto direto na geração de empregos, na circulação de renda e na dinamização de toda a região, historicamente subestimada no planejamento da capital.
Além disso, o projeto dialoga com a lógica viária do DF. Ao inverter fluxos tradicionais de deslocamento — hoje concentrados no sentido periferia-Plano Piloto — o Centrad contribui para reduzir congestionamentos, distribuir melhor o tráfego e criar uma cidade mais equilibrada. Menos deslocamentos longos significam menos tempo perdido, menor custo logístico e melhor qualidade de vida para milhares de servidores e cidadãos.
Há ainda o ganho administrativo. A concentração de órgãos em um único polo aumenta a integração entre as pastas, reduz custos operacionais e melhora a eficiência da gestão pública. Estruturas dispersas geram sobreposição de contratos, despesas imobiliárias elevadas e dificuldades de coordenação. Centralizar é racionalizar.
É evidente que o Distrito Federal precisa enfrentar com responsabilidade a crise do BRB. Mas comprometer um ativo estratégico de reorganização territorial para cobrir erros financeiros é trocar planejamento por improviso. Desenvolvimento urbano não pode ser tratado como garantia bancária.
O objetivo de descentralizar deve ser, inclusive, aprofundado: além do Centrad, é necessário planejar um centro administrativo de menor porte na região norte, em Sobradinho, consolidando um modelo policêntrico e mais justo de ocupação urbana.
O Centrad não é um terreno disponível. É uma escolha de futuro. E o futuro do DF não pode ser empenhado para pagar a conta de má gestão.

