Com 14 votos a favor e 10 contra, a Câmara Legislativa do Distrito Federal autorizou o Governo a reforçar o caixa do Banco de Brasília (BRB)diante dos prejuízos ligados às operações com o Banco Master.
Com a aprovação, o Executivo poderá fazer um aporte direto de capital na instituição e contratar empréstimos de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou outras instituições financeiras. A medida busca recompor o patrimônio do banco e fortalecer sua estrutura financeira.
O projeto também abre espaço para a utilização de nove imóveis públicos que poderão ser vendidos, transferidos ou estruturados em um fundo imobiliário, além de servirem como garantia de crédito.
A decisão ocorre no contexto das discussões sobre os impactos das operações envolvendo o Banco Master e representa uma intervenção direta do governo distrital para sustentar o banco público. As informações iniciais são da Agência Brasil.
O que isso significa na prática?
A aprovação dá respaldo legal para que o Governo do Distrito Federal:
- Faça aporte de capital no BRB, cobrindo prejuízos ligados às operações com o Banco Master;
- Contrate empréstimos usando imóveis públicos como garantia;
- Estruture um Fundo de Investimento Imobiliário com ativos do DF para fortalecer o caixa do banco.
Na prática, isso significa que o governo assume um papel direto para evitar um desequilíbrio financeiro mais grave na instituição. Já que, segundo a direção do BRB, sem a medida, haveria risco para a continuidade de operações estratégicas, como pagamento de servidores e programas públicos.
De acordo com informações da Agência Brasil, a análise do projeto foi antecedida por negociações nos bastidores. Na véspera da votação, o presidente do Banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza, reuniu-se por quase 12 horas com deputados distritais para discutir os termos da proposta.
O tema também dividiu a Câmara Legislativa do Distrito Federal. Parlamentares da oposição criticaram a amplitude da autorização concedida ao Executivo. A deputada Paula Belmonte (PSDB), por exemplo, questionou a ausência de laudos detalhados sobre a avaliação dos imóveis previstos no projeto.
Antes da votação, um estudo técnico da consultoria da própria Câmara recomendou prontamente a rejeição da proposta, apontando possíveis riscos jurídicos e fiscais, incluindo também questionamentos relacionados à Lei de Responsabilidade Fiscal e impactos nas contas do Distrito Federal.
O pano de fundo
O BRB entrou em uma zona de turbulência após operações envolvendo o Banco Master.
Em 2025, aprovou a compra de 58% do banco privado, em uma operação bilionária que aumentou a exposição e passou a gerar questionamentos sobre riscos financeiros.
Diante da possibilidade de prejuízos e da pressão sobre o balanço, o governo do Distrito Federal decidiu agir antes que a situação evoluísse para algo maior. O argumento da gestão é simples: evitar que o banco perca capacidade operacional ou enfrente uma crise de reputação e confiança.
O que está acontecendo com o BRB?
O BRB, banco controlado majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal, passou a enfrentar pressão após operações envolvendo o Banco Master. Em 2025, o conselho do BRB aprovou a compra de 58% do capital do Master, uma operação estimada em cerca de R$ 2 bilhões.
Isso elevou o nível de exposição do banco e gerou questionamentos técnicos e políticos.
Recentemente, conforme noticiado pelo O Brasilianista, o Banco de Brasília (BRB) chegou a negar que tenha tomado decisão sobre a venda de sua subsidiária financeira, mas confirmou que conduz estudos estratégicos envolvendo ativos do conglomerado. No entanto, essa manifestação ocorreu após notícias de que o banco poderia se desfazer da sua subsidiária para reforçar o capital.
Quais são os próximos passos?
- Votação em segundo turno na Câmara Legislativa;
- Assembleia de acionistas em março, que deve deliberar sobre aporte de até R$ 8,86 bilhões.
A apresentação de uma solução definitiva, no entanto, só deve ocorrer no final de março, quando termina o prazo para o banco divulgar o o balanço de 2025.

