O mercado financeiro asiático acordou os investidores do Ocidente com um susto: a bolsa da Coreia do Sul registrou um tombo histórico nesta quarta-feira (4).
De acordo com o Valor Investe, o índice Kospi despencou 12,1% e teve o pior desempenho diário de sua história. O índice fechou a sessão aos 5.093,54 pontos, seguindo o sentimento do pregão anterior e pressionando a venda de ações nas demais bolsas asiáticas.
O principal catalisador desse movimento foi o aumento dos conflitos no Oriente Médio, reduzindo a aversão ao risco globalmente.
O volume de vendas de ações foi tão intenso que a Korea Exchange chegou a interromper temporariamente as negociações do Kospi, ação chamada de circuit breaker, com objetivo de equilibrar as bolsas.
O índice Kosdaq também teve circuit breaker aplicado ao longo da sessão, mas ainda assim terminou o dia com queda de 14%, aos 978,44 pontos.
O que causou a queda histórica na Bolsa da Coreia?
Conforme explicaram especialistas à Exame, a forte queda do mercado financeiro sul-coreano está diretamente vinculada à estrutura da bolsa do país. Além disso, o tamanho da crise reflete a composição setorial do índice.
Empresas de peso em papéis do Kospi são em boa parte concentrados em tecnologia semicondutores e manufatura — justamente os setores que são mais impactados pelas oscilações em períodos de crise.
No pregão desta quarta, as ações da Samsung Electronics recuaram quase 12%, enquanto a SK Hynix caiu cerca de 10%, ampliando a pressão sobre o índice.
Em contrapartida, a bolsa coreana não possui ações de setores tradicionalmente defensivos em cenários de guerra, como petróleo e mineração. Essas indústrias, em geral, são favorecidas em momentos de guerra, pois a demanda aumenta em meio à crise energética.
A ausência de petroleiras ou mineradoras trouxe falta de equilíbrio à bolsa asiática e perdas às empresas de tecnologia.
Fechamento do Estreito de Ormuz é prejudicial para a economia do mundo todo
O Estreito de Ormuz, principal rota de petróleo do mundo, é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.
Entenda o conflito entre EUA e Irã
O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, no último sábado (28), deve provocar reflexos tanto geopolíticos, a partir da intensificação das tensões no Oriente Médio, quanto econômicos, com impactos nos preços do petróleo e nos mercados globais. Os resultados do conflito podem ser observados nos principais mercados do mundo.
O principal impacto para a economia deve ser no aumento dos preços do petróleo tipo Brent, que é referência internacional e influencia o valor dos combustíveis em vários países, inclusive no Brasil.
A tendência é que o preço do petróleo se eleve cada vez mais, com negociações que dependem dos acontecimentos do conflito. As informações são do InfoMoney.

