Em relação a recuperação extrajudicial da gigante do setor agroenergético Raízen, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) afirmou que não será afetado de forma direta pelo processo. Recentemente, a empresa comunicou que foi estabelecida uma proposta de renegociação de R$ 65,1 bilhões em dívidas.
Segundo informações da Agência Brasil, no último ano, a instituição de fomento do governo federal aprovou para a Raízen um financiamento que chegou a R$ 1 bilhão. Os recursos foram liberados com o objetivo de apoiar investimentos da empresa na produção de etanol de segunda geração, considerado uma alternativa mais sustentável dentro do setor de biocombustíveis.
Em relação a isso, o BNDES informou que os financiamentos autorizados contam com garantia real, representada pelas próprias usinas, e afirmou estar empenhado e comprometido em encontrar a solução mais favorável para a crise financeira vivida pela empresa. “Portanto, conforme informou a própria empresa, os pagamentos continuarão normalmente”.
Sobre a possibilidade de ser prejudicado, o BNDES reiterou ainda que o banco conta com um sólido sistema de governança, com índice de inadimplência entre os menores do sistema financeiro do país, ao qual alcança resultados de 0,008%.
Pedido de recuperação extrajudicial
Conforme noticiado pelo O Brasilianista, a companhia protocolou o pedido de recuperação extrajudicial junto à Comarca da Capital de São Paulo, que passará a valer apenas após homologação pela Justiça. O intuito é alcançar a quitação de débitos com bancos e investidores sem recorrer ao modelo tradicional de recuperação judicial. Sobre a adesão, informações de pessoas próximas às negociações apontam que pelo menos 40% dos credores aceitaram os termos.
“O Grupo Raízen dispõe do prazo de 90 dias, a contar do processamento da Recuperação Extrajudicial, para obter o percentual mínimo necessário à homologação do seu plano de recuperação extrajudicial, assegurando, assim, a vinculação de 100% dos créditos sujeitos aos novos termos e condições de pagamento a serem definidos no Plano”, afirmou a Raízen em comunicado, nesta quarta-feira (11).
De acordo com a empresa, a tentativa conhecida como saneamento financeiro tem alcance limitado. Diante disso, não terão participação as dívidas e obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios, que continuam em andamento. Ou seja, esses contratos continuarão sendo cumpridos normalmente, conforme determina os termos estabelecidos.
Na prática, o plano de recuperação prevê a capitalização do Grupo Raízen por seus acionistas, bem como a conversão de parte dos créditos sujeitos em participação acionária na companhia. Segundo a Agência Brasil, as tratativas envolvem ainda a substituição de parte dos créditos sujeitos por novas dívidas, reorganizações societárias e, por fim, a venda de ativos do grupo.
Divídas bilionárias
A crise financeira da empresa, controlada pela Shell e pela Cosan, surgiu após um período de pressão sobre a estrutura de capital e de aumento do endividamento. A tentativa de recuperação representa a maior já realizada no país nesse formato, considerando o acúmulo de compromissos bilionários ao longo dos anos.
O processo chama atenção por a empresa ser uma das maiores produtoras de etanol e biomassa de cana-de-açúcar do mundo. Considerada uma das gigantes do setor agroenergético, a Raízen, criada em 2011, após uma joint venture entre as empresas Cosan e Shell, possui atualmente 45 mil funcionários e 35 usinas em operação.

