Mesmo sob investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, apresentou crescimento relevante no quarto trimestre de 2025. Atualmente, a companhia está sendo investigada por supostas práticas anticompetitivas no fornecimento de combustível para aviação, enquanto ajusta sua atuação em projetos de energia renovável.
De acordo com informações divulgadas ao Broadcast, o lucro líquido da Vibra no último trimestre do ano alcançou R$ 679 milhões, registrando aumento de 33,1% em relação ao mesmo período de 2024. O Ebitda ajustado chegou a R$ 2,620 bilhões, dobrando na comparação anual, e a receita líquida ajustada somou R$ 50,5 bilhões, avanço de 13,5%.
No fechamento de 2025, o lucro líquido anual foi de R$ 1,979 bilhão, uma queda de 68,9% frente a 2024, enquanto o Ebitda ajustado subiu 26,7%, atingindo R$ 7,923 bilhões. A receita líquida ajustada somou R$ 189,8 bilhões, alta de 9,7%.
Na mira do Cade
Na situação atual da empresa, a Vibra enfrenta apuração do Cade sobre possíveis práticas anticoncorrenciais no setor de aviação, conforme divulgado pelo O Brasilianista. O inquérito foi aberto no dia 31 de janeiro de 2026 pelo superintendente-geral do órgão, Alexandre Barreto, a partir de denúncia da distribuidora Rede Sol.
O Brasilianista destacou que a Rede Sol havia questionado a rescisão unilateral de um contrato com a Vibra, encerrado em setembro de 2025, sem apresentar “qualquer justificativa técnica ou legal”. A companhia afirmou que a Vibra é “a única empresa que dispõe de tancagem de gasolina de aviação (GAV) em Cubatão/SP, infraestrutura estratégica para o abastecimento aeronáutico nacional”.
Além disso, a distribuidora destacou que a Vibra herdou a estrutura em Cubatão da administração pública, o que exige “o dever de compartilhamento com demais distribuidoras, em estrita observância à Lei nº 12.529/2011 e aos princípios da isonomia concorrencial”.
A Vibra atua no segmento de aviação por meio da marca BR Aviation, licenciada pela Petrobras, e detém 60% do mercado nacional. A investigação do Cade ainda se encontra em fase inicial, sem implicar condenação, podendo resultar em arquivamento, acordo ou aplicação de medidas corretivas, dependendo da análise técnica do mercado e dos contratos envolvidos.
Revisão de portfólio
No mesmo período, a Vibra optou por deixar de participar de um projeto de geração solar flutuante na Grande São Paulo. A companhia vendeu integralmente sua participação na KWP Comerc SPE, sociedade criada para desenvolver a usina no reservatório Billings, que passou a ser totalmente controlada pela KWP Energia. O valor da transação não foi divulgado.
O projeto, iniciado entre 2020 e 2021, previa capacidade de até 80 megawatts (MW) em modelo de geração distribuída, conectada diretamente à rede elétrica.
Apesar parecer inovador, representa apenas uma pequena fração do mercado nacional de geração distribuída, que totaliza cerca de 45 gigawatts (GW) instalados. Com a venda, a Vibra deixa de participar da fase de desenvolvimento do empreendimento.
O que diz a empresa?
Segundo a gestão da empresa, os resultados refletem tanto o aumento do volume comercializado quanto a expansão das margens comerciais, que alcançaram o nível mais alto do ano. O lucro bruto ajustado no quarto trimestre totalizou R$ 2,9 bilhões, representando crescimento de 35% em relação ao mesmo período de 2024, com margem bruta de 5,7%, 0,9 ponto percentual superior ao ano anterior.
Para os mesmos, o desempenho foi impulsionado pela maior rentabilidade nas operações de Distribuição, pela inclusão do segmento de Renováveis e pela expansão do portfólio de produtos premium.
A variação no lucro líquido anual, segundo a Vibra, é resultado do efeitos do impairment da Comerc Energia e da recuperação tributária.

