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Geopolítica

Argentina tem boom de petróleo e atrai novos investidores

Exportações aceleram após recorde na produção do combustível pela “Vaca Muerta”

Briefing: Tensão externa, investigações e reformas movimentam o cenário econômico

A Argentina vem rompendo com o histórico de “gigante adormecido” no setor de óleo e gás e se consolida como protagonista no mercado energético da América Latina. Em janeiro, a produção de petróleo alcançou 860 mil barris equivalentes por dia (boe/d), recorde que reforça as projeções da indústria sobre a possibilidade de o país chegar a 1,5 milhão de boe/d no médio prazo.

O interesse de investidores estrangeiros cresce de forma consistente, posicionando a Argentina como um parceiro estratégico de maior relevância para o Brasil. No entanto, detalha o Broadcast, a conexão entre suas reservas e a demanda brasileira ainda enfrenta barreiras logísticas e estruturais.

O otimismo das companhias se baseia em fatores como um ambiente macroeconômico mais favorável, regulação mais clara do que em anos anteriores e o vasto potencial das reservas locais.

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Vaca Muerta para expansão

Em 2025, o petróleo e o gás responderam por cerca de 12% das exportações argentinas. As estimativas do BTG mostram que se as vendas externas atingirem entre 350 mil e 400 mil barris por dia em 2026, um aumento de US$ 10 no preço do petróleo provocado pelo conflito no Oriente Médio poderia gerar receitas extras entre US$ 1,2 e 1,5 bilhão por ano, equivalentes a 0,1% a 0,2% do PIB.

Esse crescimento é impulsionado pela formação de Vaca Muerta, uma formação geológica localizada na província de Neuquén, na Argentina. É famosa por suas reservas de gás e petróleo de xisto e é considerada uma das maiores reservas de energia não convencional do mundo. A expansão do setor, apoiada por ganhos de produtividade e pelo desenvolvimento gradual da infraestrutura de midstream, atrai investidores internacionais.

Roadshows nos Estados Unidos e no Reino Unido indicaram que o foco de interesse está nas reservas da bacia, com preferência por investimentos na Vista Energy, que possui exposição exclusiva à Vaca Muerta e apresenta perfil de crescimento mais acelerado que a empresa pública/privada YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales) e Pampa Energía.

Para o Brasil, a produção de Vaca Muerta é estratégica em duas frentes:

  • Fornecedora de insumos para fertilizantes (como ureia)
  • Termelétricas de partida rápida

No gás natural, diversos atores estão em jogo, criando oportunidades que podem ser aproveitadas pela Petrobras e pelo país à medida que o mercado se abre.

Exportações e investimentos privados

É possível observar que desde novembro houve anúncios de aportes de investidores do Oriente Médio e obtenção de financiamentos para construção de gasodutos, viabilizando a saída de gás argentino para o exterior.

Mesmo com estatização parcial da YPF no governo de Cristina Kirchner, o setor energético argentino mantém forte potencial de crescimento. A produção de gás e petróleo, principalmente em Vaca Muerta, projeta o país como exportador crescente nos próximos anos.

O memorando do G-20 prevê importações de até 2 milhões de metros cúbicos por dia no curto prazo, podendo chegar a 30 milhões até 2030, usando a infraestrutura boliviana, embora cláusulas de interrupção em picos de frio ainda representem desafio para a segurança energética.

Produtos agrícolas, como soja, milho e girassol, também registram preços elevados. No total, petróleo e gás respondem por 13,5% das exportações, enquanto o agronegócio mantém mais de 60% do volume. Recentemente, o trigo atingiu o maior valor em um ano e a soja, o maior desde junho de 2024.

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