O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na última sexta-feira (13) que o Produto Interno Bruto (PIB) do país pode subir entre 0,8% e 1% no primeiro trimestre deste ano devido aos mecanismos de mudanças no crédito e planejamentos para que a demanda mantenha a economia aquecida.
Em entrevista ao programa 20 Minutos, do Opera Mundi, Haddad preferiu não dar uma estimativa de crescimento econômico de 2026, visto que essa projeção dependeria do rumo da taxa básica de juros, a Selic. As informações são da Agência Brasil.
“A economia brasileira é capaz de crescer entre 0,8% e 1% nesse primeiro trimestre. Então, os mecanismos de mudanças no crédito, tudo que nós estamos fazendo para manter a demanda efetiva está redundando em manutenção [da economia aquecida]”, afirmou o ministro.
Também na última sexta, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda manteve sua projeção para o crescimento econômico em 2026, mas registrou novo marco de aumento da inflação em meio ao conflito no Oriente Médio, conforme mostrou O Brasilianista.
O relatório projetou a alta do PIB neste ano em 2,3%, mantendo o nível estimado no documento divulgado em fevereiro. Por sua vez, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no Brasil, deve fechar 2026 em 3,7%, contra 3,6% previstos antes.
O aumento na projeção da inflação brasileira se dá devido análise de um temporário conflito na região do Irã, iniciado ao final de fevereiro. A guerra impacta diversos setores, incluindo cenário de juros, comércio de petróleo e câmbio.
Ainda assim, o Brasil segue em competitividade nas exportações de petróleo bruto e itens da agropecuária. Bloqueios causados pela guerra e o recente tratado entre Mercosul e União Europeia impulsionam essa projeção por demanda.
Haddad não está preocupado com as metas fiscais
Durante a entrevista, o ministro da Fazenda ainda alegou que não está preocupado com as metas fiscais, afirmando que o time econômico do governo fez um trabalho de “saneamento das contas”. Haddad também projeta que as mudanças da reforma tributária devem dar impulso ao PIB em 2027.
“Eu acho que nós fizemos um trabalho de saneamento das contas. Eu não estou preocupado com as metas fiscais. Eu acho que o crescimento, pela maneira como nós estamos conduzindo, sobretudo as reformas que foram feitas, vão permanecer. Eu acho que a reforma tributária, que entra em vigor ano que vem, vai dar um impulso para o PIB ainda maior”, disse.
Haddad defendeu novamente a necessidade do arcabouço fiscal e negou que o governo tenha apertado demais a conta.
“Não [apertou a conta], porque isso tinha que vir acompanhado dessa batalha no Congresso Nacional – e que foi parcialmente bem-sucedida – de recomposição da base tributária. Nós perdemos 3% do PIB de base tributária. Para você abrir mão de carga tributária, o Congresso aprova em 15 dias, mas não para recompor e cortar privilégios no Brasil. Vai lá no Congresso negociar redução de privilégio, desoneração da folha. Cada projeto desse são semanas de negociação”, revelou.

