A corrida eleitoral de 2026 começou a aparecer de forma mais explícita em São Paulo. Durante uma agenda oficial em Campinas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu espaço ao ex-ministro Fernando Haddad em diferentes momentos do discurso e colocou o aliado no centro das discussões sobre economia, ciência e desenvolvimento.
Lula citou Haddad cinco vezes ao longo da cerimônia realizada no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais. O ex-ministro acompanhava o evento mesmo sem ocupar cargo no Governo Federal, o que ampliou a leitura política sobre a movimentação do PT em São Paulo.
O estado é tratado pelo Palácio do Planalto como peça importante para a tentativa de reeleição presidencial e também para o projeto petista de voltar ao comando do governo paulista. Haddad aparece como principal aposta do partido para enfrentar Tarcísio de Freitas em 2026.
Ao defender investimentos em pesquisa, Lula afirmou que “Em um investimento como esse, qualquer quantidade de milhões é muito pequena perto do do que vai render para o futuro do País e da sociedade brasileira”. Mais adiante, ao comentar mudanças tributárias, declarou que pretende ampliar a “justiça tributária, que o Haddad começou a fazer” com a proposta de imposto de renda zerado para salários de até R$ 5 mil.
Movimentação do PT mira maior colégio eleitoral do país
O gesto do presidente ocorre em meio às articulações do PT para ampliar espaço em São Paulo, estado que concentra o maior eleitorado brasileiro. A avaliação dentro do partido é que uma vitória no estado teria impacto direto no cenário nacional.
Conforme já explicado pelo O Brasilianista, pessoas próximas a Lula avaliam que Tarcísio ainda enfrenta dificuldades para consolidar apoio entre prefeitos paulistas. O governador mantém alianças importantes, mas parte da estrutura política construída nos últimos anos depende do PSD de Gilberto Kassab.
O entorno do presidente também acompanha a reorganização partidária no interior paulista. O PSD ampliou espaço sobre antigos redutos do PSDB e passou a reunir lideranças municipais que antes orbitavam os tucanos. Ainda assim, aliados petistas acreditam que o atual governador ainda busca fortalecer presença política além da capital.
A segurança pública também deve aparecer como tema central da disputa. Embora o governo estadual apresente números de redução em alguns crimes, pesquisas indicam que a sensação de insegurança continua elevada entre os moradores do estado.
Pesquisas ainda colocam Tarcísio à frente
Mesmo com o esforço do PT para ampliar a presença de Haddad no estado, os levantamentos eleitorais mostram vantagem do atual governador nos cenários testados até agora.
O Brasilianista já informou que pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril apontou Tarcísio com 38% das intenções de voto em um dos cenários de primeiro turno, contra 26% de Haddad. Em outra simulação, o governador apareceu com 40%, enquanto o petista registrou 28%.
No cenário de segundo turno, o levantamento mostrou Tarcísio com 49% e Haddad com 32%. A pesquisa também indicou que parte significativa do eleitorado ainda não definiu posição para a disputa estadual.
Os números mostram diferenças importantes entre grupos de eleitores. Haddad apresentou desempenho mais alto entre mulheres e pessoas acima de 60 anos. Já Tarcísio registrou índices maiores entre homens e eleitores de faixa etária intermediária.
Mesmo diante da vantagem do governador nas pesquisas, a presença de Haddad em agendas presidenciais e o espaço dado por Lula durante eventos públicos demonstram que o PT já começou a movimentar a pré-campanha em São Paulo.

