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Economia

Queda da inovação na indústria em 2024 reflete baixa demanda e concentração em grandes empresas; veja os impactos na competitividade

Indicador recua enquanto companhias mantêm aportes, mostrando descompasso entre esforço interno e resultados no curto prazo

Queda da inovação na indústria em 2024 reflete baixa demanda e concentração em grandes empresas; veja os impactos na competitividade

A indústria brasileira voltou a registrar recuo no ritmo de inovação em 2024, consolidando uma tendência de desaceleração que levanta preocupações sobre produtividade e competitividade. O resultado não indica apenas uma oscilação pontual, mas traz à tona um conjunto de fatores econômicos e estruturais que têm limitado a capacidade das empresas de transformar investimento em novos produtos e processos.

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Segundo a Agência IBGE de Notícias, a taxa de inovação das empresas industriais com 100 ou mais empregados ficou em 64,4% em 2024, marcando a terceira queda seguida desde 2021. O indicador mede a proporção de companhias que implementaram novidades ou melhorias relevantes em produtos ou processos de negócios.

Apesar da leve variação em relação ao ano anterior, o movimento de queda ao longo dos últimos anos aponta para um cenário mais desafiador. A inovação segue presente, mas com menor intensidade, especialmente no desenvolvimento de produtos.

O que explica a perda de ritmo na inovação?

A desaceleração está diretamente ligada ao ambiente econômico. Entre os fatores que ajudam a explicar o resultado estão o câmbio, o nível de investimento produtivo e a própria demanda do mercado, que influencia as decisões das empresas.

De acordo com o analista Flávio Peixoto, “fatores como o câmbio e a formação bruta de capital fixo (investimento) influenciam na taxa, mas a inovação em si é um fenômeno dinâmico que às vezes precisa de um prazo de maturação longo”.

Na prática, isso significa que nem toda empresa que investe em inovação consegue lançar algo novo no mesmo período. Esse efeito é ainda mais evidente quando se trata de produtos, que exigem mais recursos, tecnologia e tempo de desenvolvimento.

Além disso, a concorrência com produtos importados pode reduzir o incentivo para inovar localmente, principalmente em momentos de câmbio desfavorável. Isso ajuda a explicar por que a inovação em processos, mais simples e rápida de implementar, continua predominando.

Impactos diretos para a indústria e a economia

A queda no ritmo de inovação tem efeitos que vão além dos indicadores. Um dos principais impactos é sobre a competitividade da indústria brasileira, especialmente em setores mais intensivos em tecnologia.

Com menos lançamentos de produtos e menor avanço tecnológico, as empresas tendem a perder espaço no mercado, tanto internamente quanto no exterior. Isso também pode afetar a produtividade, já que a inovação é um dos principais motores de eficiência.

Outro impacto relevante é a concentração da inovação em empresas de grande porte. Negócios com mais de 500 funcionários apresentaram taxas significativamente superiores às de empresas menores, evidenciando um desequilíbrio no acesso a recursos e oportunidades, segundo a Agência Brasil.

Investimento cresce, mas retorno não é imediato

Mesmo com a redução na taxa de inovação, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento cresceram em 2024, alcançando R$ 39,9 bilhões. O dado mostra que as empresas continuam apostando em inovação, ainda que os resultados não apareçam no curto prazo.

Outro ponto importante é que a maior parte desses investimentos é financiada pelas próprias empresas, o que indica um esforço interno significativo, mas também limita a capacidade de expansão, especialmente entre companhias menores.

Além disso, quase metade das empresas inovadoras relatou dificuldades para inovar. Entre os principais entraves estão a instabilidade econômica, restrições de recursos, concorrência elevada e baixa atratividade da demanda.

Perspectivas e sinais para os próximos anos

Para os próximos anos, a pesquisa indica continuidade nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento pelas empresas industriais. Em 2025, 96,4% das empresas declararam intenção de aumentar ou manter os dispêndios nessa área em relação a 2024.

Para 2026, considerando as expectativas já projetadas para o ano anterior, essa proporção sobe para 98,5%, indicando ampliação do interesse das empresas em sustentar ou elevar os investimentos em atividades de pesquisa.

Os dados também mostram diferenças conforme o porte das empresas. Entre aquelas com 100 a 249 pessoas ocupadas, 71,7% preveem manter os investimentos. Já nas empresas com 250 a 499 empregados, esse percentual é de 56,1%, enquanto nas companhias com 500 ou mais pessoas ocupadas, a proporção é de 54,2%.

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