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Economia

Caso GPA/Raízen: 6 empresas estadunidenses que recorreram ao Chapter 11

Grandes companhias dos EUA também tentaram reorganizar operações para evitar a liquidação

Caso GPA/Raízen: 6 empresas estadunidenses que recorreram ao Chapter 11

Nos últimos meses, o judiciário brasileiro tem registrado um aumento significativo de pedidos de recuperação extrajudicial. Em 2025, 78 empresas recorreram ao mecanismo, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior, com maior concentração nos setores de comércio, serviços e indústria. Entre os casos mais emblemáticos está o Grupo Pão de Açúcar (GPA), como detalha O Brasilianista, que busca renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas enquanto mantém cerca de 700 lojas abertas e 39 mil funcionários ativos.

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Outro exemplo é a Raízen, companhia de energia formada pela parceria entre Cosan e Shell, que está reorganizando compromissos financeiros de R$ 65 bilhões por meio de negociações diretas com bancos e investidores, suspensão temporária de pagamentos e medidas de reforço de capital, incluindo aporte de R$ 4 bilhões pelos acionistas e venda de ativos internacionais.

O recurso à recuperação extrajudicial, entretanto, não é exclusivo do Brasil. Nos Estados Unidos, grandes empresas também recorrem ao Chapter 11, mecanismo legal que permite reorganizar dívidas e operações enquanto os negócios continuam funcionando, evitando a liquidação imediata.

Veja cinco exemplos de companhias americanas que utilizaram a recuperação extrajudicial norte americana para enfrentar crises financeiras e buscar reestruturação.

General Motors

A montadora General Motors (GM) entrou com pedido de proteção contra credores sob o Chapter 11 em 1º de junho de 2009, em um dos maiores processos de reorganização empresarial da história dos Estados Unidos. De acordo com a Reuters, a decisão foi tomada no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York, após a GM enfrentar perdas bilionárias acumuladas em consequência da crise automotiva global, queda acentuada nas vendas de veículos e dificuldades para honrar dívidas de curto e longo prazo.

O processo contou com apoio financeiro significativo do Departamento do Tesouro dos EUA, incluindo empréstimos emergenciais para manter a produção e operações essenciais em funcionamento.

A reestruturação envolveu a divisão dos ativos da GM em duas entidades: uma “nova GM” para abrigar as operações viáveis e continuar a fabricação e venda de veículos e uma “antiga GM” que concentrou os passivos e obrigações problemáticas.

A companhia conseguiu preservar empregos, renegociar dívidas com credores e fornecedores, e manter a confiança do mercado automotivo americano.

Bed Bath & Beyond

Varejista de artigos domésticos Bed Bath & Beyond Inc., que durante décadas foi um dos nomes mais conhecidos do varejo americano, entrou com pedido em abril de 2023. O pedido foi protocolado em um tribunal de Nova Jersey após a empresa falhar em levantar recursos suficientes para sustentar suas operações diante de queda contínua de vendas, acúmulo de dívidas e concorrência crescente de varejistas online e marketplaces digitais.

O pedido incluiu também sua subsidiária buybuy BABY, responsável por produtos de puericultura, e iniciou um processo supervisionado para liquidar ou reestruturar ativos de forma ordenada.

A reestruturação tentou equilibrar as contas, reduzir passivos e buscou alternativas de financiamento, incluindo a venda de algumas lojas e renegociação de contratos de fornecedores, para tentar preservar partes do negócio que ainda apresentassem valor estratégico ou comercial.

Forever 21

O operador americano da marca Forever 21, símbolo do fast fashion, entrou com pedido de recuperação em março de 2025, marcando a segunda proteção judicial da empresa em menos de seis anos. A empresa também existia no Brasil, mas fechou no país antes da pandemia.

O movimento ocorreu após sucessivas quedas no tráfego de consumidores em shopping centers e forte competição de varejistas digitais, que prejudicaram a rentabilidade do modelo de negócios centrado em lojas físicas.

A empresa iniciou a liquidação gradual de suas aproximadamente 350 lojas nos Estados Unidos. A reorganização tinha como objetivo reduzir custos operacionais, renegociar dívidas e explorar possíveis compradores ou investidores estratégicos para segmentos viáveis da marca, mantendo a operação online e algumas unidades físicas em mercados mais rentáveis.

Saks Global

No setor de luxo, o conglomerado Saks Global, controlador das redes Saks Fifth Avenue, Neiman Marcus e Bergdorf Goodman, entrou com pedido no início de 2026. A decisão foi por dívidas significativas após uma grande aquisição em 2024 que aumentou consideravelmente o endividamento da empresa.

A reestruturação buscava preservar as marcas premium e reorganizar a dívida, enquanto enfrentava um ambiente de consumo de artigos de luxo em queda, pressão sobre margens e mudanças no comportamento dos consumidores, que passaram a priorizar experiências digitais em detrimento de compras em lojas físicas de alto padrão.

O processo envolveu negociações com credores, investidores estratégicos e potenciais compradores de ativos não essenciais.

Joann Inc.

A rede americana de lojas de tecidos e artigos de artesanato Joann Inc. entrou com pedido de recuperação extrajudicial no tribunal de falências de Delaware em 15 de janeiro de 2025, marcando sua segunda declaração de falência em menos de um ano.

A empresa acumulava US$ 615,7 milhões em dívida e enfrentava problemas estruturais como estoques reduzidos, interrupções na cadeia de suprimentos e forte concorrência de varejistas online, o que prejudicava a capacidade de atender clientes e manter operações regulares.

Na época do pedido, a Joann mantinha cerca de 800 lojas em 49 estados dos EUA. A estratégia incluía buscar compradores interessados em manter a viabilidade do negócio ou, na ausência de ofertas adequadas, liquidar parte dos ativos.

Como parte da reorganização, algumas lojas foram fechadas gradualmente, enquanto a empresa negociava o pagamento de dívidas com fornecedores e credores, tentando preservar o valor residual da marca e os empregos associados.

CIT Group

O grupo financeiro CIT Group Inc., um dos maiores financiadores de pequenas e médias empresas nos Estados Unidos, entrou com pedido de recuperação no início de novembro de 2009. O processo foi protocolado no Tribunal de Falências do Distrito Sul de Nova York, em meio à escassez de crédito causada pela crise financeira global de 2008.

O documento de falência expôs cerca de US$ 71 bilhões em ativos e US$ 64,9 bilhões em dívidas, e a reorganização visava reduzir aproximadamente US$ 10 bilhões do passivo total. A estratégia incluía a troca de dívidas antigas por novos títulos e ações reorganizadas, permitindo à empresa restabelecer liquidez e retomar operações de financiamento.

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