O governo federal alcançou, em fevereiro de 2026, a maior arrecadação para o mês desde o início da série histórica, arrecadando cerca de R$ 222,117 bilhões em receitas, um crescimento de 5,68% na comparação com fevereiro do ano anterior. No acumulado do primeiro bimestre, o total chegou a R$ 547,869 bilhões, com alta real de 4,41%, também configurando recorde para o período, de acordo com relatório das Análises das Arrecadações das Receitas Federais.
O desempenho foi puxado, principalmente, pelas receitas administradas pela Receita Federal, que somaram R$ cerca 215,210 bilhões em fevereiro, com avanço real de 6,17%. No acumulado de janeiro a fevereiro, esse grupo atingiu R$ 528,411 bilhões, com crescimento de 5,60%.
Já as receitas administradas por outros órgãos totalizaram R$ 6,907 bilhões no mês, com queda real de 7,4. O resultado consolidado foi influenciado principalmente pelo aumento da arrecadação da contribuição previdenciária e pelo bom desempenho de tributos como PIS/Cofins, IRRF sobre capital e IOF.
Previdência e consumo
Entre os destaques de fevereiro, PIS/Pasep e Cofins somaram R$ 47,676 bilhões, com crescimento real de 8,45%. O avanço reflete o aumento de 1,14% nas vendas de bens e de 3,34% no volume de serviços, além da recuperação da arrecadação no setor de combustíveis.
A receita previdenciária alcançou R$ 60,528 bilhões, com alta real de 5,68%. O desempenho foi sustentado pelo crescimento da massa salarial, pela expansão da arrecadação do Simples Nacional previdenciário e pelo aumento das compensações tributárias.
Também contribuiu a reoneração escalonada da folha de pagamentos e da contribuição patronal dos municípios, em vigor desde 2025.
IOF dispara com crédito e câmbio
O IOF registrou arrecadação de R$ 8,696 bilhões em fevereiro, com crescimento real de 35,73%. O avanço foi impulsionado principalmente pelas operações de crédito e pelas transações de câmbio relacionadas à saída de moeda estrangeira, em um contexto de mudanças legislativas implementadas em junho de 2025.
No acumulado de janeiro e fevereiro, a receita previdenciária totalizou R$ 124,432 bilhões, com crescimento real de 5,58%, acompanhando a expansão da massa salarial e do Simples Nacional.
Já PIS/Pasep e Cofins somaram R$ 104,073 bilhões, com alta de 6,19%, impulsionados pelo aumento das vendas e dos serviços e pela recuperação no setor de combustíveis.
O IRRF sobre rendimentos de capital alcançou R$ 26,385 bilhões, com crescimento real de 26,45%, refletindo a elevação da arrecadação em aplicações de renda fixa e juros sobre capital próprio . No mesmo período, o IOF acumulou R$ 16,761 bilhões, com avanço de 41,83%.
Indicadores econômicos
O resultado da arrecadação foi influenciado por indicadores macroeconômicos, como o crescimento da massa salarial, que avançou mais de 8% em termos nominais, além do aumento nas vendas e no setor de serviços. Por outro lado, houve recuo no valor em dólar das importações e queda na produção industrial.
Dados do mercado de trabalho também contribuíram para o desempenho das receitas previdenciárias. Em janeiro de 2026, o país registrou saldo positivo de 112.334 empregos formais, com destaque para os setores de indústria, construção e serviços. Em 12 meses, foram criados mais de 1,2 milhão de postos de trabalho.
Apesar do recorde, a arrecadação de fevereiro apresentou queda real de 31,76% em relação a janeiro de 2026. O recuo é explicado pelo calendário de recolhimentos, já que, no mês anterior, ocorre o pagamento da primeira cota ou cota única do IRPJ e da CSLL, além da antecipação de valores relacionados à declaração de ajuste.

