O primeiro giro de pré-campanha de Flávio Bolsonaro pelo Nordeste foi marcado por um tom mais leve, incluindo as chamadas “dancinhas” com apoiadores, gesto que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e passou a simbolizar uma tentativa de reposicionamento de imagem.
A iniciativa não é casual. Ao adotar uma postura mais descontraída, Flávio busca suavizar a percepção associada à família Bolsonaro e ampliar seu alcance junto a públicos menos ideologizados, especialmente em uma região historicamente mais alinhada ao presidente Lula.
O desafio central, no entanto, vai além da comunicação. Os números de 2022 ainda pesam sobre qualquer projeto eleitoral na região. No segundo turno, Lula obteve cerca de 69% dos votos válidos no Nordeste, contra pouco mais de 30% de Jair Bolsonaro, evidenciando um desequilíbrio estrutural que a campanha de Flávio tenta enfrentar. Para isso, o senador aposta na adaptação do discurso à realidade nordestina, na defesa de que programas sociais não são exclusivos.
Efraim Filho
Paralelamente, o movimento político seguiu a cartilha tradicional, com a busca por alianças locais. Em João Pessoa, ao lado do senador Efraim Filho, que oficializou sua filiação ao PL e ensaia candidatura ao governo da Paraíba, Flávio participou de um ato que marcou o início de uma articulação mais robusta no estado. O slogan “Paraíba, bote FÉ” sintetiza a tentativa de criar identidade regional e engajamento político a partir da combinação dos nomes dos dois líderes.
A presença de figuras como Rogério Marinho, Marcelo Queiroga e João Roma reforça a estratégia de utilizar ex-ministros com inserção local para dar capilaridade à pré-campanha.
Pesquisas
Como informado pelo O Brasilianista, pesquisas recentes indicam uma disputa mais acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), consolidando a polarização entre os dois principais campos políticos do país.
Levantamento do instituto Real Time Big Data mostra Lula liderando os cenários testados para a eleição, mas com o adversário reduzindo a diferença.
Na pesquisa espontânea, o presidente aparece com 29% das citações, enquanto Flávio Bolsonaro registra 19%. Já nas simulações estimuladas, a vantagem diminui: Lula tem cerca de 39%, contra 32% do senador.
Em uma eventual segunda rodada de votação, o quadro se torna ainda mais equilibrado. A simulação indica empate técnico, com pequena vantagem numérica para o atual presidente.

