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Política

O que explica o crescimento de Renan Santos no universo digital?

Pré-candidato a presidencia pelo Missão supera nomes tradicionais na presença digital e conquista o “jovem de direita”

O que explica o crescimento de Renan Santos no universo digital?

Nos últimos meses, a atuação de Renan Santos online superou nomes que tradicionalmente são considerados mais influentes na política. Segundo o Estadão, nos últimos dias ele alcançou cerca de 11,19% em menções às lideranças na corrida presidencial, ficando atrás apenas de Flávio Bolsonaro, com 20,09%, e Lula, com 19,90%.

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Renan é pré-candidato à Presidência pelo partido Missão, fundado pelo Movimento Brasil Livre (MBL). O crescimento dele não é apenas um pico momentâneo, mas sim um desempenho constante, acima de figuras como Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite.

No caso de Ratinho Júnior, a diferença mostra como políticos que ainda não entendem a política como fenômeno digital têm dificuldades: ao anunciar sua saída da disputa, o governador do Paraná viu seu índice de atenção subir de 2% para 4%, limitado às notícias tradicionais, sem conseguir manter visibilidade fora disso.

Renan, por outro lado, segue outra estratégia. Sua presença online se fortalece quando ele interage diretamente nas redes e provoca polêmicas. Ao criticar a “dancinha” de Flávio Bolsonaro em um evento no Nordeste, chegou a 21% de atenção.

E quando disse que Flávio “tinha que morrer”, esclarecendo que falava de morte política, o efeito se repetiu. Suas críticas a pautas de costumes e ao senador viraram combustível para ampliar seu alcance digital, colocando-o no centro dos debates mais intensos da direita na internet.

A famosa direita liberal

O Estadão ainda ressalta que o crescimento de Renan não vem só das polêmicas. Ele se diferencia por ter uma leitura de direita mais liberal e conservadora que o bolsonarismo atual, ocupando um espaço antissistema com clareza maior que a de seus concorrentes.

Enquanto parte da direita tenta se aproximar do centro para atrair eleitores moderados, Renan segue o caminho contrário, conquistando quem é antiesquerda e não se sente representado pelo bolsonarismo. O discurso dele mistura indignação, identidade e senso de missão, elementos que, segundo o partido Missão, definem sua base e dão nome à legenda.

O MBL foi um dos primeiros a perceber que redes sociais não são só canais de divulgação, mas estruturas de poder. O grupo se organizou nesse ambiente, criando um ciclo constante de conteúdo, adaptando a linguagem a cada plataforma e mobilizando sua base para comentar, defender, atacar e amplificar mensagens.

Diferente de políticos que usam redes apenas como extensão do gabinete, o MBL trabalha o ecossistema digital de forma estratégica. Renan é o exemplo máximo desse modelo.

Sem precisar de cargo público ou exposição da máquina estatal, marca presença em podcasts, canais de YouTube e perfis nas redes, com uma audiência pronta para reagir. Frequência, repetição e linguagem acessível ajudam a captar atenção antes mesmo de tentar transformar isso em votos.

Concorrentes sob pressão

O Metrópoles mostrou que, entre jovens de 16 a 24 anos, Renan vem crescendo rápido, o que acendeu um alerta no governo Lula. Segundo a pesquisa AtlasIntel, divulgada em 25 de março, ele subiu de 15,9% em fevereiro para 24,7% em março, um aumento de 8,8 pontos.

Flávio Bolsonaro também avançou, passando de 29,4% para 37,1%, enquanto Lula foi de 24,2% para 28,6%, com crescimento de 14,1 pontos na desaprovação entre os jovens.

O “jovem de direita”, antes visto como ultrapassado e socialmente marginalizado entre os anos 1970 e 1990, ganhou novo status. Hoje, o MBL lidera essa mudança, com nomes como Kim Kataguiri, Fernando Holiday e Renan Santos, que alcança até 4,6% de intenção de votos, índice maior que o obtido por Geraldo Alckmin em 2018.

Apesar da visibilidade online, Renan ainda precisa detalhar propostas concretas sobre déficit público, Previdência, ensino superior e SUS. A transição da influência digital para o mundo real será decisiva. Ainda assim, o MBL ajudou a tornar o liberalismo mais atraente e consolidou o “jovem de direita” como figura relevante no debate político atual.

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