A decisão de Gilberto Kassab de deixar a Secretaria de Governo de Tarcísio de Freitas ocorre em sincronia com outro gesto político relevante: o anúncio de que o Partido Social Democrático definirá, até o fim de março, seu candidato à Presidência da República em 2026.
Ao deixar um dos cargos mais influentes do governo paulista, Kassab se descola da agenda administrativa e se libera para atuar integralmente na articulação política do PSD, num momento em que a legenda busca afirmar protagonismo. A justificativa formal, a incompatibilidade entre função institucional e atuação político-eleitoral, segue o protocolo, mas o timing evidencia o início de uma nova fase.
O nome
A definição do nome que disputará o Palácio do Planalto é o próximo passo. Com a saída de Ratinho Júnior da corrida, o partido deve escolher entre Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. A decisão carrega peso estratégico, mais do que um candidato, o PSD definirá qual perfil pretende adotar em um cenário ainda marcado pela polarização política.
Caiado representa uma linha mais alinhada à direita tradicional, com forte base no agronegócio e discurso firme na segurança pública. Já Leite surge como alternativa de centro, com apelo mais moderado e trânsito em setores urbanos e empresariais.
Apesar da saída do governo paulista, Kassab fez questão de reforçar o apoio do PSD à eventual reeleição de Tarcísio de Freitas. O gesto indica continuidade da aliança em São Paulo e preservação de uma base estratégica para o partido, ao mesmo tempo em que amplia sua atuação no plano nacional.
A movimentação também sugere que o PSD pretende ir além do papel tradicional de força de apoio. Ao lançar candidatura própria, o partido busca se colocar como peça relevante já no primeiro turno, seja para disputar efetivamente o Planalto, seja para ganhar musculatura política e ampliar seu poder de negociação em etapas posteriores da eleição.

