O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros e fixou a Selic em 14,75% ao ano. A medida foi tomada em um contexto de maior instabilidade global e diante de sinais de desaceleração da economia brasileira, mantendo o foco no controle da inflação.
Ainda assim, o cenário de juros altos pode atrair investimentos estrangeiros ao Brasil pela chamada carry trade.
Segundo o Invest Talk do Banco do Brasil, o carry trade é um mecanismo dos investidores profissionais para ganhar com a diferença de taxas de juros entre dois países, o que pode alterar o câmbio e traz diversos riscos ao patrimônio individual.
Funciona assim: um investidor decide pegar um empréstimo em um país com taxa de juros baixa e, depois, investe esse valor em um país com a taxa de juros alta, geralmente em aplicações de renda fixa. No final da operação, o retorno do investimento pode trazer um lucro — ou spread — maior e em moeda mais valorizada.
Por exemplo, ao pegar um empréstimo nos Estados Unidos com uma taxa de 3,5% ao ano, o interessado pode transformar o dinheiro em dólar para real e aplicar o montante em um ativo do Tesouro Selic no Brasil, que terá retorno de aproximadamente 14,75% ao ano. No final, o investidor terá lucrado 11,25% com a operação, em linhas gerais.
Riscos do carry trade
O principal problema, ainda de acordo com o Invest Talk, é que o retorno não é sempre garantido. Isso porque câmbio varia diariamente e pode trazer prejuízos significativos ao investidor.
O carry trade não é uma operação recomendada para momentos macroeconômicos de forte instabilidade ou incertezas, como é o caso do cenário da guerra no Oriente Médio e crise energética do petróleo.
Ainda assim, investidores podem procurar operações no mercado futuro de dólar, por exemplo, para garantir uma certa proteção contra esses prejuízos.
Carry trade pode alterar o preço do dólar nos países
Um fator interessante do carry trade é a possibilidade de mudar a relação com o câmbio — e, em certa medida, comprometer a rentabilidade do investidor.
A alta demanda pelo trade em qualquer país valoriza a moeda nacional em relação ao dólar, em meio ao investimento estrangeiro que é injetado localmente.
No entanto, alguns analistas costumam explicar que o movimento não é tão natural, visto que há um fator especulativo que influencia as moedas, além das diversas outras operações que acontecem diariamente impactando no câmbio.
Corte de juros no Brasil pode impactar no carry trade?
O Copom indicou que deve seguir os cortes de juros durante as próximas reuniões do ano. Isso significa um alívio para o bolso dos brasileiros, mas também menores rendimentos para aplicações de renda fixa — as escolhidas para operações de carry trade.
No entanto, o movimento de cortes não deve impactar significativamente no investimento estrangeiro no Brasil por meio do trade. Isso porque a relação entre a taxa de juros brasileira com a de outros países com moedas fortes segue com forte diferença.

