O novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (31) que está propondo à Receita Federal uma nova forma de declaração do Imposto de Renda (IR), em que os trabalhadores não precisem mais declarar todos os anos.
Segundo o g1, ele afirma que se aprovada a nova medida, seria necessário apenas validar as informações já declaradas anteriormente. Na prática, não seria mais responsabilidade de cada cidadão enviar os documentos de rendimentos para a Receita todos os anos.
Isso porque a ideia é que a declaração do IR, no futuro, receba dados enviados por empresas e por bancos. Um modelo semelhante — mas com avanços — ao que é conhecido hoje como declaração pré-preenchida.
A projeção do Fisco é de que a declaração deste ano seja 60% concentrada no modelo já preenchido. Nesta opção, o programa da Receita Federal usa como base a declaração do ano anterior para preencher informações que não mudam ou que não possuem altas mudanças ao longo do ano fiscal.
“O que tenho pedido para a Receita é que a gente construa o sistema para logo, que a gente não precise mais declarar Imposto de Renda. Como a gente tem um país informatizado, as informações dos bancos, do plano de saúde, das empresas, isso tudo vai sendo colocado no sistema e pessoa precisa validar simplesmente”, revelou Durigan durante reunião ministerial que aconteceu no Palácio do Planalto.
Para o ministro, o objetivo é caminhar para um país com “menos burocracia, para uma economia de inovação”.
O que o Imposto de Renda exige hoje?
Conforme apontado pelo O Brasilianista, a Receita Federal exige a entrega dos comprovantes de renda para verificar as informações declaradas. Esse registros permitem comprovar ao poder público os ganhos ao longo do ano.
Segundo informações da CNN, é necessário repassar dados como salários, aposentadoria, pensões, bem como aluguéis, caso haja, serviços autônomos, ações judiciais e rendimentos do exterior.
Além disso, é preciso entregar informações sobre os rendimentos de contas bancárias e aplicações financeiras. Entram na lista ainda, pagamentos e deduções, comprovantes de despesas médicas e odontológicas e relatório anual de despesas com educação, caso possua. Os comprovantes de gastos são importantes para auxiliar na restituição.
Fazem parte da lista também:
- Comprovantes de despesas com previdência privada, advogados, engenheiros, corretagem em aluguéis e transações imobiliárias;
- Recibo de doações (recebidas ou efetuadas);
- Documentação de bens e direitos, como imóveis e veículos;
- Extratos de consórcios, financiamentos e outras dívidas;
- Informações sobre empréstimos (dívidas e ônus).
O período para fazer a entrega da declaração vai de 23 de março a 29 de maio. Conforme noticiado pelo O Brasilianista, devem declarar todos cidadãos que tiveram rendimentos acima de R$ 33.888,00 no ano-base de 2025, bem como pessoas que receberam rendimentos isentos maiores que R$ 200 mil. Além disso, entram na obrigatoriedade aqueles com receita rural acima de R$ 177.920.
Neste ano, a Receita Federal divulgou uma série de mudanças nas regras do Imposto de Renda 2026. Com expectativa de receber cerca de 44 milhões de declarações, haverá mudanças na restituição, além de novas exigências para ganhos com apostas online e a possibilidade de utilização de nome social na declaração.
De acordo com a Receita Federal, haverá também aprimoramentos nas declarações pré-preenchidas, que passarão a ter alertas para evitar erros de preenchimento e um novo cashback do IRPF para cerca de quatro milhões de contribuintes que não estavam obrigados a declarar e não entregaram a DIRPF 2025, mas que têm direito à restituição.

