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Economia

Com Bets, endividamento cresce no Brasil e preocupa o governo

Equipe econômica do governo tenta buscar solução para reduzir os impactos na economia brasileira

Com Bets, endividamento cresce no Brasil e preocupa o governo

O governo tem acompanhado com grande preocupação a aumento das dívidas entre as famílias brasileiras. Parlamentares têm buscado soluções para reduzir o endividamento e melhorar o bem-estar econômico da população. Apesar de indicadores positivos, como baixa taxa de desemprego, aumento da renda e inflação controlada, muitas famílias ainda enfrentam as dificuldades do peso das dívidas sobre sua renda.

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O cenário de endividamento é confirmado pelo economista Linconl Rocha, presidente da PAGOS (Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos), que destacou ao O Brasilianista que o mercado elevou a projeção para a taxa Selic ao final de 2026 para 12,50% ao ano, concentrando os principais desafios econômicos na condução da política monetária, no controle fiscal e na gestão dos impactos sociais do endividamento.

O custo do crédito continua elevado, apesar de mudanças regulatórias recentes, levando milhões de brasileiros a recorrerem ao rotativo e agravando a inadimplência.

A equipe econômica do governo estuda medidas para aliviar o orçamento dos consumidores e permitir que a sensação de estabilidade financeira seja mais rapidamente percebida. Segundo O Globo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniu com representantes da Febraban, da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), da Associação Brasileira de Empresas de Cartão de Crédito e Serviços (ABEC) e outras entidades financeiras, com o objetivo de buscar soluções eficazes para o problema.

Embora a proposta final ainda não tenha sido divulgada, a expectativa é que siga o modelo do programa “Desenrola”, que trocava dívidas mais caras por opções de menor custo com incentivo público. Mesmo com resultados positivos, quase 50% da renda anual do consumidor está comprometida com dívidas e um terço da renda mensal é destinado apenas ao pagamento de juros.

Apostas online são um dos grande motivos

Além do crédito e dos juros, as apostas online, também chamadas de bets, são um dos fatores mais relevantes para o endividamento. Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) e da FIA Business School, divulgado pelo Uol, aponta que as apostas têm impacto maior na inadimplência do que os fatores tradicionais.

O Brasilianista destaca que o levantamento calculou que as apostas correspondem a 0,2255 dos motivos para a inadimplência, superando o impacto do crédito sobre a renda (0,0440), dos juros ao consumidor (0,0709) e do tempo de dívida (-0,0017).

As famílias financeiramente vulneráveis são as mais afetadas, recorrendo a crédito caro, como cartão de crédito e cheque especial, para sustentar o hábito. A receita bruta das bets autorizadas em 2025 atingiu R$ 37 bilhões, sem considerar os valores pagos em prêmios.

O cenário de inadimplência segue preocupante: em fevereiro de 2026, cerca de 81,7 milhões de brasileiros estavam endividados, o equivalente a 49,87% da população, com débitos somando R$ 539 bilhões, média de R$ 6.598,13 por pessoa.

O valor médio por dívida foi de R$ 1.623,40. Entre os endividados, a faixa etária mais afetada é de 41 a 60 anos (35,6%), seguida de 26 a 40 anos (33,5%), acima de 60 anos (19,8%) e jovens de 18 a 25 anos (11,1%).

Falta dados no Brasil

A falta de dados precisos sobre apostas online no Brasil domina o debate sobre o setor. Na Comissão Externa sobre os Atos de Pirataria e a Agenda do “Brasil Legal”, o deputado federal Julio Lopes (PP-RJ) classificou o cenário como uma “anarquia de informações”.

Estima-se que entre 20% e 52% do mercado de apostas opere de forma ilegal, com movimentação bilionária. Letícia Ferraz, diretora-executiva do Laboratório de Direitos Humanos e Novas Tecnologias, apontou que entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões anuais deixam de ser convertidos em políticas públicas devido ao mercado ilegal.

Plataformas ilegais utilizam mecanismos como o Pix para movimentar recursos, enquanto a regulamentação excessiva pode empurrar os jogadores para fora do mercado formal.

Endividamento do consumidor em números

O Brasilianista também mostra que, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), 80,2% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, com 29,6% delas relatando parcelas em atraso.

O levantamento indicou ainda que, embora famílias de maior renda também utilizem crédito para manter seu padrão de consumo, as de baixa renda são as mais afetadas: 38,9% apresentam contas em atraso, e quase 20% não conseguem quitar suas dívidas.

O cartão de crédito lidera o endividamento, sendo responsável por 85% dos casos de inadimplência, seguido pelos carnês de lojas (16%), financiamentos imobiliários (9,8%) e de veículos (8,9%). A pesquisa analisou 18 mil consumidores de todas as capitais e o Distrito Federal, traçando o perfil do comprometimento da renda das famílias.

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