O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que a crise de liquidez enfrentada pelo Banco de Brasília (BRB) deverá ser solucionada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), sem a participação direta da União. A declaração foi feita na quarta-feira (01). Segundo Durigan, não há previsão de intervenção federal nem de socorro financeiro ao banco público distrital, como detalha o Valor Econômico.
De acordo com o ministro, a responsabilidade pela condução da situação é do governo local, que precisa lidar com os desdobramentos da crise. O ministro argumenta, no entanto, que instituições federais como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil podem participar do processo por meio da aquisição de ativos do BRB, seguindo critérios de mercado.
Essas operações podem envolver a compra de carteiras ou títulos, de forma semelhante à atuação de bancos privados. Ainda segundo Durigan, o Tesouro Nacional autorizou a cessão de carteiras do BRB que contam com garantia da União, permitindo sua transferência para outras instituições financeiras, mantendo o aval federal.
De acordo com o ministro, isso pode chamar atenção de outros bancos que tenham condições de absorver esses ativos. Ao ser questionado sobre a possibilidade de federalização do banco, Durigan rechaça a hipótese. Segundo ele, o tema não tem aval do Ministério da Fazenda para avançar.
Caminhos para a salvação do BRB
Segundo O Brasilianista, o Banco Central já havia dito que a saída para o Banco de Brasília (BRB) passa, inicialmente, pelo acompanhamento dentro do protocolo tradicional de supervisão bancária, com medidas graduais e possibilidade de ações mais duras apenas em caso de agravamento.
Para recompor a liquidez, o banco já busca alternativas no mercado. De acordo com o próprio BRB, a gestão pretende captar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões por meio de um sindicato de bancos, além de ter solicitado cerca de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos.
A recuperação também depende de reforço de capital. Uma assembleia marcada para o dia 22 de abril, deve avaliar um aumento de capital, enquanto o Governo do Distrito Federal estuda medidas de apoio.
Paralelamente, o fortalecimento da captação de longo prazo é essencial para reduzir riscos de liquidez, especialmente após os impactos das operações envolvendo o Banco Master.
O que aconteceu com o BRB?
O Banco de Brasília (BRB) entrou em crise após sofrer impactos das operações com o Banco Master, instituição envolvida em irregularidades. Parte dos recursos aplicados pelo BRB estava ligada a ativos sem lastro sólido, o que afetou a saúde financeira do banco.
Um dos principais obstáculos é a falta de clareza sobre o tamanho do prejuízo. O atraso na divulgação dos resultados está ligado a uma auditoria forense da operação “Compliance Zero”, que investiga transações com o Banco Master e seus efeitos nas contas da instituição.
A recuperação do BRB está diretamente ligada à sua capacidade de mitigar riscos associados às operações passadas e reorganizar sua estratégia financeira. A captação e a liquidez, conforme destaca o Brasilianista, pode ser essencial para sustentar a instituição no médio e longo prazo.

