A produção industrial brasileira avançou 0,9% em fevereiro na comparação com janeiro, marcando o segundo resultado positivo consecutivo e acumulando alta de 3% no início de 2026.
Apesar do desempenho mensal, o setor registrou queda de 0,7% frente ao mesmo período do ano passado, mantendo um cenário de oscilação na atividade.
Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Expansão recente da atividade
O crescimento observado em fevereiro ocorre após um período de retração no fim de 2025, quando a produção registrou três quedas consecutivas.
Como divulgado pela Agência de Notícias do IBGE, o avanço recente está associado à retomada das operações industriais e à recomposição de estoques em diferentes segmentos produtivos.
O gerente da pesquisa, André Macedo, explica que janeiro foi marcado por paralisações típicas do período, como férias coletivas, enquanto fevereiro apresentou um ritmo mais intenso de produção. Esse movimento contribuiu para a recuperação parcial das perdas acumuladas anteriormente.
Além disso, a produção atual está acima do nível pré-pandemia, embora ainda distante do pico histórico registrado em 2011. Os dados mostram que a indústria segue em processo de ajuste, com variações ao longo dos meses.
Setores que impulsionaram o resultado
O desempenho positivo foi disseminado em grande parte das atividades industriais, com crescimento em 16 dos 25 ramos pesquisados. Entre os principais destaques estão os segmentos de veículos automotores e derivados de petróleo.
A indústria automobilística registrou avanço relevante, impulsionada pela produção de automóveis e autopeças.
Esse movimento também contribuiu para reverter perdas observadas no fim do ano anterior, acumulando crescimento expressivo nos primeiros meses de 2026.
Já o setor de derivados de petróleo e biocombustíveis manteve sequência de expansão, refletindo aumento na produção de itens como óleo diesel e álcool etílico. Esses segmentos tiveram papel central na composição do resultado geral da indústria.
Quedas em áreas específicas
Apesar do avanço geral, algumas atividades apresentaram retração no período. O principal impacto negativo veio da indústria farmacêutica, que registrou queda após um período de forte crescimento no fim de 2025.
Outros segmentos também contribuíram para limitar o resultado, como produtos químicos e metalurgia, que apresentaram recuos na produção.
Esses movimentos refletem variações específicas de cada setor, incluindo mudanças na demanda e na base de comparação.
Na análise anual, a maioria dos ramos industriais apresentou queda, com destaque para máquinas e equipamentos, vestuário e produtos eletrônicos, evidenciando um desempenho desigual entre os segmentos.
Preços seguem em trajetória de queda
Enquanto a produção avança, os preços na indústria seguem em movimento oposto. Como informou O Brasilianista, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou queda de 0,25% em fevereiro na comparação com janeiro.
O indicador, que mede os valores recebidos pelas indústrias na saída das fábricas, acumula retração de 4,47% em 12 meses.
Esse comportamento reflete reduções disseminadas em diversos setores, com destaque para o segmento de alimentos.
A queda nos preços ocorre mesmo com o crescimento da produção, indicando dinâmicas distintas entre volume produzido e remuneração das empresas no setor industrial.
Influência dos alimentos e outros setores
O principal impacto negativo no IPP veio do setor de alimentos, que mantém sequência de quedas mensais e exerceu maior peso no resultado geral.
A redução nos preços está relacionada a fatores como oscilações no mercado internacional e estratégias comerciais adotadas pelas empresas.
Outras atividades apresentaram comportamento diferente, com aumento nos preços, como máquinas elétricas, metalurgia e produtos de limpeza. Esses avanços estão associados a custos de insumos e valorização de commodities.
O resultado evidencia que, mesmo dentro da indústria, há diferenças significativas entre os segmentos, com trajetórias distintas para preços e produção.
Ritmo mais fraco em São Paulo
O Brasilianista também destacou que a atividade industrial paulista apresentou desaceleração em março, com o índice Sensor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo abaixo da linha de crescimento.
Os dados indicam enfraquecimento da demanda e redução no dinamismo do setor, além de níveis de estoque acima do planejado. Esse cenário tende a influenciar o ritmo da produção nos meses seguintes.

