A análise dos celulares utilizados pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, levou a Polícia Federal a identificar mais de 8 mil arquivos de vídeo. Os aparelhos apreendidos durante as buscas ligadas ao banqueiro investigado por fraudes financeiras também continham outros tipos de arquivos digitais, como fotos ao lado de autoridades, que seguem sob análise no âmbitos das investigações.
Diante da quantidade de arquivos, os peritos tentam separar conteúdos pessoais, bem como informações corriqueiras, dos dados que podem auxiliar a investigação, conforme informações do O Globo. Os conteúdos nos smartphones incluem arquivos recentes e antigos, todos em grande volume. Além dos vídeos, a PF investiga fotografias, que podem ajudar a identificar indícios de irregularidades no poder público.
Arquivos podem abrir espaço para mais investigações
O material coletado é considerado importante para as investigações, especialmente pela necessidade de cruzar informações com outros elementos já encontrados, diante da complexidade do caso. De acordo com a avaliação de pessoas que puderam ter acesso aos arquivos, a expectativa é que a análise dos conteúdos abra novas frentes importantes nas apurações conduzidas desde 2025.
Preso desde 19 de março na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o ex-banqueiro negocia delação premiada com a PF e a Procuradoria-Geral da República. Recentemente, Vorcaro realizou a substituição de seus advogados, passando a ser representado pelo criminalista José Luís Oliveira, mudança que indica sinais de alterações nas estratégias jurídicas adotadas no decorrer do processo, de acordo com O Brasilianista.
Delação premiada
Conforme aponta o cientista político Cristiano Noronha, há informações de que Daniel Vorcaro está definindo os fatores que devem fazer parte da delação premiada. Os pontos em deliberação envolvem o tempo de prisão, bem como a inclusão de informações envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal. “Há uma expectativa também de que a definição desses temas, que vão ser abordados nessa delação, que está sendo negociada também com os advogados, possa durar em torno de 45 dias.”, afirma.
Para a equipe de investigação, a delação do ex-banqueiro pode ser um passo positivo para o andamento das apurações, por ajudar a esclarecer pontos pendentes. No entanto, a colaboração pode ter impacto limitado e menos vantajosa, já que parte das informações foi localizada nos arquivos extraídos dos celulares apreendidos e devido ao grande volume de material que ainda está em análise. Esse pode ser um dos motivos pelos quais o acordo de delação ainda apresenta impasses.
Movimentações alertam para a possibilidade de o governador do Paraná ser a primeira vítima do acordo de cooperação. O aviso surgiu após Ratinho Junior, apresentado anteriormente como um dos principais nomes do Partido Social Democrático (PSD), anunciar a sua desistência para disputar a Presidência da República nas eleições deste ano. Apesar da justificativa ter relação com o cenário político, a ação é vista com desconfiança.
Integrantes das investigações classificam as apurações como em estágio intermediário. Segundo eles, a principal dificuldade enfrentada até o momento é o volume de dados, considerado um dos principais desafios do processo. Diante da quantidade de material apreendido, os peritos devem focar no trabalho de filtragem para separar conteúdos de maior relevância, no intuito de avançar nas análises.

