Em tentativa de diminuir de forma artificial parte do valor devido ao Banco de Brasília (BRB), a Reag Investimentos, empresa que pertencia ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, utilizou de compensações por operações fraudulentas para abater R$ 560 milhões. Em uma manobra contábil a empresa teria utilizado de multiplicação de patrimônio líquido, o que teria inflado seus ativos para reduzir a dívida.
Conforme informações do Estadão, em agosto de 2025, a empresa aumentou em quatro mil vezes o patrimônio líquido da Trevi, empreendimento imobiliário de luxo localizado no estado de São Paulo, movimento ao qual investidores identificam inconsistências metodológicas na operação. Após isso, a Reag entregou à instituição financeira os ativos deste fundo na compra de carteiras para compensar a estatal em pagamento pelo prejuízo obtido de R$ 12,2 bilhões do Banco Master.
Como foi realizado a operação?
Para entender como foi realizado a manobra é necessário avaliar a estrutura dos fundos envolvidos e o mecanismo que gerou à elevação expressiva do patrimônio líquido utilizado pela Reag. Acontece que o fundo Trevi mantém em sua carteira cotas de outro fundo, o FIP Novo Bairro, a princípio, criado para ser controlador da Novo Bairro S/A. A empresa foi desenvolvida para realizar a construção de um condomínio de alto padrão localizado no bairro do Butantã, em São Paulo.
Diante disso, o negócio realizou a compra de 33 imóveis na região, onde o Banco Master investiu R$ 181 milhões, dinheiro adquirido de quatro empréstimos efetuados de janeiro a junho de 2024, os quais incidem taxas de 5% ao ano, acrescidas de 100% do CDI, operação que utilizou os próprios terrenos como garantia. Como esses ativos foram adquiridos com recursos ainda não quitados, o FIP Novo Bairro passou a ter um patrimônio líquido reduzido em relação ao valor total dos imóveis.
Em agosto, o patrimônio líquido do fundo aumentou de R$ 409 mil para R$ 1,7 bilhão, mas ainda sem pagar as dívidas adquiridas para a sua construção. Mesmo com o porém, o Banco Master, que era responsável por um terço do empreendimento captado pelo fundo Trevi, utilizou sua parte para pagar aproximadamente R$ 560 milhões dos R$ 12 bilhões devidos ao BRB.
Maioria das compras de carteiras do BRB pertenciam ao Master
Entretanto, mesmo com a movimentação, o pagamento ao BRB não foi suficiente para cobrir o rombo causado pela compra de carteiras falsas. De acordo com o Metrópoles, o banco desembolsou R$ 30,4 bilhões na aquisição de ativos do Banco Master entre 2024 e 2025. Os dados apontam que, a cada R$ 100 investidos pela instituição nesse período na compra de carteiras de crédito, ao menos R$ 95 foram destinados ao Banco Master.
Posicionamento do BRB
Em nota, o Banco de Brasília afirmou que não tem participação nas decisões de gestão de recursos ou definição de investimentos do fundo, bem como reiterou as ações de fiscalização independente para apurar as operações relacionadas ao Banco Master. “O BRB informa que recebeu cotas de fundos de investimento em participação durante o processo de substituição das carteiras de crédito adquiridas junto ao Banco Master”
Confira comunicado completo
O banco não participou, em qualquer momento, das decisões de gestão, alocação de recursos ou definição de investimentos do fundo. Todas as decisões são de responsabilidade exclusiva dos gestores e administradores dos respectivos fundos, conforme regulamentação vigente.
O banco reforça, ainda, que contratou investigação independente para apurar fatos relacionados à operação envolvendo o Banco Master. Essa apuração está sendo conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll Associates Brasil”.

