Em fevereiro, a produção industrial apresentou crescimento de 0,9%, na série livre de influências sazonais em 11 estados do país, movimento que indica avanço na maior parte dos 15 locais avaliados. Segundo os resultados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar de o setor acumular um ganho de 3% nos dois últimos meses, o cenário aponta para perda de ritmo em comparação aos resultados mais recentes.
De acordo com o analista da pesquisa, Bernardo Almeida, o avanço no segundo mês do ano elimina a perda registrada de 2,3% no período de setembro a dezembro de 2025. “Esse movimento pelo segundo mês seguido pode ser explicado pela necessidade de algum tipo de recomposição de estoques após o período de queda no final do ano passado que diminuiu os níveis dessa variável”, explicou o especialista.
Resultados por estado
Os dados mostram que no segundo mês do ano, a produção industrial apresentou os maiores avanços no Espírito Santo, com aumento de 11,6%. De acordo com o levantamento, os resultados de fevereiro foram os mais intensos desde maio de 2025, quando houve avanço de 17,5% nas atividades. Neste mês, a indústria extrativa foi a atividade que mais influenciou o resultado positivo do estado.
“A indústria capixaba eliminou a perda de 11,3%, acumulada em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, enquanto a indústria gaúcha eliminou quase totalmente a sua perda de 6,8%, acumulada no mesmo período. Ambos os movimentos nos permitem fazer uma leitura compensatória às perdas anteriores”, explica Bernardo Almeida.
Em seguida aparece o Rio Grande do Sul, que acumulou crescimento de 6,7% na atividade. O resultado de fevereiro de 2026 é o mais elevado desde junho de 2024, quando a taxa foi de 35,6% e a indústria local retomou as atividades após as enchentes que paralisaram a produção no estado. Com isso, ambos os estados interrompem dois meses consecutivos de queda na produção, período em que chegaram a acumular perdas entre 11,3% e 6,8%.
No entanto, foi observada queda em duas localidades do país. Em Mato Grosso, o levantamento aponta que houve retração de 0,9% na produção, bem como em Goiás, com o registro de queda de 0,8%. As quedas atuais aparecem em um fluxo de resultados negativos observados também nos últimos meses, com acúmulo de redução de 12,4%.
Entre os locais com resultados positivos, mas menos expressivos, estão também Bahia, com avanço de 3,2%, bem como Pará, que registrou aumento de 2,7%, o Ceará, com 2,5%, e o Amazonas, com alta de 1,7% em fevereiro. Os resultados mostram também que avançaram Santa Catarina, bem como a região Nordeste, ambas com crescimento de 1,0%. Já Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro completaram o conjunto de locais com taxas positivas menores.
Comparação com fevereiro de 2025
Ao comparar com fevereiro de 2025, a indústria recuou 0,7%, com nove dos 18 locais pesquisados registrando queda na produção. Já ao avaliar no índice acumulado para janeiro-fevereiro de 2026, frente a igual período do ano anterior, a pesquisa mostra que o setor industrial registrou perda de 0,2%, com resultados negativos em nove dos 18 locais pesquisados.
Na análise com o mesmo período do ano anterior, a indústria do Rio Grande do Norte foi a que apresentou maior recuo, com queda de 24,5%. O IBGE aponta que os resultados da indústria potiguar foram influenciados pelas atividades de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, produtos alimentícios, como castanha de caju descascada ou triturada, balas, farinha de trigo, sal de cozinha iodado, condimentos e temperos compostos, açúcar cristal e café torrado e moído, e, principalmente, indústrias extrativas.
Na contramão, o Espírito Santo apresentou crescimento de 31,3% e Pernambuco, de 25,0%. O analista da pesquisa afirma que as expansões podem ser explicadas pelas baixas bases de comparação observadas no mesmo período do ano anterior.
“Na indústria capixaba, o setor extrativo impulsiona esse crescimento com aumento na produção de minérios de ferro, óleos brutos de petróleo e gás natural. Já na indústria pernambucana, o setor de derivados do petróleo destaca-se com crescimento expressivo de 18.630,3%, uma vez que, no mesmo período do ano anterior, algumas plantas industriais encontravam-se paralisadas nesse setor e, por isso, a expressividade da variação”, explica Almeida.

