O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, decidiu não prorrogar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que deve encerrar seus trabalhos na próxima terça-feira (14).
A informação foi confirmada pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), na última terça-feira (7) durante sessão plenária, de acordo com a Agência Senado.
Segundo Vieira, que esteve em reunião com o presidente Alcolumbre para discutir a CPI, o líder da Casa argumentou que se trata de um ano eleitoral e que a prorrogação não seria adequada neste momento.
O relator não insistiu na prorrogação, mas espera que a diretoria do Senado aprove o funcionamento de uma nova CPI que investigará o caso do Banco Master — esse pedido foi protocolado na semana passada.
Apesar de reconhecer que a CPI ainda possui frentes relevantes em aberto, que dificilmente serão esgotadas até o prazo final, a avaliação interna é de que temas sensíveis ficaram pelo caminho.
Sem a ampliação do prazo, o colegiado deverá votar o relatório final no próximo dia 14 de abril.
Crime organizado no sistema financeiro
Um ponto que ainda carece de atenção, como mostrado pelo O Brasilianista, é a investigação sobre a possível infiltração do crime organizado no sistema financeiro. A complexidade desse tipo de apuração exige cruzamento de informações técnicas, cooperação institucional e tempo.
A tendência é que o relatório traga um panorama relevante sobre a atuação do crime organizado no país, mas sem conseguir esgotar todas as linhas investigativas abertas ao longo dos trabalhos.
Qual era a finalidade da CPI do Crime Organizado?
Instalada em novembro de 2025, a finalidade da CPI era apurar, no prazo de 120 dias, a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no território brasileiro, em especial de facções e milícias, investigando o “modus operandi” de cada uma delas, as condições de instalação e desenvolvimento em cada região.
Além disso, a comissão visava identificar as respectivas estruturas de tomada de decisão, de modo a permitir a identificação de soluções adequadas para o seu combate, especialmente por meio do aperfeiçoamento da legislação atualmente em vigor.
O projeto tinha limite de despesas de R$ 30.000,00. Vale lembrar que uma CPI é uma forma usada pelo Parlamento de exercer sua atividade fiscalizadora, mas não interfere nas investigações da Polícia Federal ou Civil.
Segundo o portal das comissões, de novembro até abril foram marcadas 27 reuniões e realizadas 18 delas, com pausa somente em janeiro devido ao recesso parlamentar. Outros encontros precisaram ser adiados ou cancelados.
Empresas de tecnologia em foco
Nos casos recentes em destaque, houve a convocação do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister. A oitiva foi anunciada em momento de crescente pressão sobre empresas de tecnologia. O Senado discutia projetos que tratam da responsabilização de plataformas por conteúdos pagos e impulsionados.
Caso a CPI identifique falhas estruturais nos filtros de anúncios, o debate pode resultar em propostas legislativas mais rígidas. Isso afetaria não apenas a Meta, mas todo o mercado digital.
Empresas de publicidade online dependem da confiança dos usuários. Se anúncios fraudulentos circulam com facilidade, consumidores passam a desconfiar do ambiente digital.
Para organizações criminosas, a internet se tornou canal de captação de recursos e recrutamento. A comissão busca entender se houve brechas exploradas por esses grupos.
Ampliação do escopo para o caso Banco Master
Além da frente digital, a CPI também avançou sobre conexões empresariais e financeiras ligadas ao Banco Master, instituição privada que entrou em liquidação extrajudicial após decisão do Banco Central.
O Banco Central é a autoridade responsável por supervisionar o sistema financeiro. A liquidação extrajudicial é medida adotada quando há risco à estabilidade da instituição.
A comissão aprovou o pedido de quebra de sigilo e convocou pessoas ligadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e ao Banco Master.
Vale lembrar que o caso Master se mostrou mais profundo do que uma crise financeira, visto que Daniel Vorcaro, dono do banco, foi identificado como líder de um grupo que realizava obtenção ilegal de informações sigilosas e intimidação de críticos, jornalistas e autoridades.

