O mercado financeiro brasileiro terminou mais um pregão marcado por forte oscilação, com recorde na Bolsa de Valores e impactos no câmbio, em um contexto de entrada de capital estrangeiro, aceleração da inflação e estabilidade do petróleo no cenário internacional, conforme informa o UOL. Esse resultado é explicado por uma série de indicadores.
Inicialmente, o dólar comercial encerrou a última sexta-feira (10) em baixa de 1,02%,negociado a R$ 5,011, o mais reduzido em dois anos. Ao longo do dia, a moeda dos Estados Unidos já mostrava recuo desde a sua abertura até o fechamento do mercado.
Dados de mercado apontaram que esse é o menor nível desde 09 de abril de 2024, quando o dólar foi cotado a R$ 5,007, confirmando a continuidade da tendência de enfraquecimento da moeda norte-americana frente ao real.
Quase 200 mil pontos na Bolsa
O Ibovespa voltou a atualizar o mercado acionário com seu recorde histórico. O principal índice da Bolsa brasileira subiu 1,12% e finalizou o pregão em 197.323 pontos, registrando o nono avanço consecutivo. Isso aproximou o índice da marca psicológica de 200 mil pontos, reforçando uma sequência positiva que tem atraído a atenção dos investidores.
O ingresso de capital externo vem sendo um dos principais elementos que explicam tanto a alta da Bolsa quanto a queda do dólar. Esse fluxo está ligado à entrada de recursos em carteira no mercado doméstico, que somaram ingressos líquidos de US$ 29,3 bilhões no acumulado de 12 meses até fevereiro de 2026.
Esse movimento de capital estrangeiro favorece simultaneamente a valorização do real e o aumento da procura por ações brasileiras. O ambiente doméstico também teve influência no comportamento dos mercados. O IPCA, indicador oficial da inflação no país, registrou aceleração em março.
Conforme apontam dados do mercado, essa alta foi impulsionada principalmente pelo reajuste dos combustíveis. Esse resultado mantém o foco dos investidores sobre a evolução da inflação no Brasil, em um período de valorização expressiva dos ativos financeiros.
O recorde da Ibovespa
O Brasilianista destacou na última sexta (10) que o texto destaca que o Ibovespa ultrapassou pela primeira vez os 195 mil pontos tanto no intradia quanto no fechamento, acumulando uma sequência de oito altas seguidas. Esse movimento resultou em alta de 4,09% em abril e 21,10% no ano.
Apesar da forte valorização, o mercado brasileiro ainda é considerado barato para investidores estrangeiros quando medido em dólar. O índice também atingiu cerca de 38.537 pontos em moeda americana, acima dos níveis do início do ano.
O cenário é impulsionado por um fluxo internacional mais favorável a mercados emergentes, com possível redução da concentração de investimentos nos Estados Unidos. No ambiente externo, a melhora na percepção de risco, incluindo sinais de estabilidade no Oriente Médio, ajudou a reduzir preocupações com o petróleo.
Internamente, fatores como juros reais elevados, estratégias de carry trade, entrada de capital estrangeiro e expectativa de queda da taxa de juros seguem sustentando o interesse pelo mercado brasileiro.
Cenário internacional
No mercado internacional, o petróleo apresentou oscilações leves, sem variações significativas durante o pregão. O contrato futuro do barril do tipo Brent, com vencimento em junho, terminou o dia com queda de 0,75%, cotado a US$ 95,20.
Já o petróleo WTI, com entrega em maio, recuou 1,33%, encerrando a US$ 96,57 por barril. Pelo comportamento das commodities, essa estabilidade relativa do petróleo contribuiu para aliviar pressões externas sobre economias emergentes, como o Brasil.

