O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), foi o escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da SIlva (PT) para concorrer ao cargo de governador de São Paulo nas eleições de 2026. Agora, ele tenta encontrar um nome para participar de sua chapa como vice.
Segundo a Arko, a prioridade é encontrar um nome que atraia eleitores de centro. O objetivo de Haddad é atrair alguém vinculado ao agronegócio, setor que apoia majoritariamente o atual governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Ainda de acordo com a agência de notícias, o primeiro nome procurado pelo PT foi o de Teresa Vendramini, também conhecida como “Teca”, que é pecuarista, filiada ao PDT e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), uma das entidades que representa o setor.
Outro nome buscado foi o do economista Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), que preferiu ficar de fora de uma disputa eleitoral. Nome forte nas regiões de Franca e Ribeirão Preto, de onde vem sua família de pecuaristas, ele é também administrador de empresas, foi secretário municipal em Sertãozinho e ex-presidente do Sebrae-SP.
Uma terceira possibilidade, visto a resistência do agronegócio em relação ao PT, é a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSB), mas teria que abrir mão de concorrer ao Senado por São Paulo. Nesse cenário, é possível que a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) e o ex-governador Marcio França (PSB) sejam os candidatos ao Senado na composição de Lula.
Outro nome que surgiu foi o do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para vice de Haddad. Porém, esse cenário é praticamente impossível, visto que seu partido é apoiador do governo de Tarcísio de Freitas.
Polarização em SP pode antecipar disputa nacional
A análise do colunista Cristiano Noronha para O Brasilianista indica que a possível reedição da disputa entre Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas em São Paulo não ocorre isoladamente, mas dialoga com um cenário mais amplo de polarização política no país.
Segundo ele, a dinâmica observada hoje na corrida presidencial, concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, tende a se reproduzir em diferentes níveis da disputa eleitoral, incluindo o maior colégio eleitoral do Brasil.
De acordo com o colunista, mesmo com índices elevados de rejeição que chegam a mais de 50% para ambos os lados, a polarização permanece consolidada e dificulta o surgimento de alternativas competitivas.
Esse padrão já havia sido observado em 2022, quando tanto Lula quanto Jair Bolsonaro mantiveram alta votação mesmo enfrentando rejeições expressivas.
A avaliação é de que esses blocos políticos possuem eleitorados fiéis, o que sustenta a disputa em torno de dois polos principais.
Nesse contexto, São Paulo pode funcionar como um termômetro antecipado da eleição nacional. De um lado, Haddad representa o campo ligado ao governo federal; de outro, Tarcísio mantém alinhamento com o bolsonarismo, ainda fortemente associado à liderança de Jair Bolsonaro.

