A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado chega ao seu desfecho nesta terça-feira (14), com a apresentação do relatório final marcada para as 14h. Inicialmente prevista para o período da manhã, a sessão foi adiada para garantir mais tempo de análise do documento, protocolado durante a madrugada.
Segundo o relator, Alessandro Vieira, a mudança ocorreu por determinação do presidente da comissão, Fabiano Contarato, diante do curto intervalo entre a entrega do texto e sua deliberação. A expectativa é de que a leitura e a votação do parecer encerrem oficialmente os trabalhos da CPI, após 120 dias de investigações.
Relatório eleva tensão institucional
O documento final traz recomendações de forte repercussão política e jurídica, incluindo o pedido de indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade.
O relatório aponta possível envolvimento de autoridades em episódios relacionados ao caso do Banco Master e sustenta que teriam agido de maneira incompatível com a honra e o decoro de suas funções. As conclusões tendem a aprofundar o embate entre os Poderes e devem provocar intensos desdobramentos políticos e institucionais.
O que investigou a CPI
Instalada em novembro de 2025, a CPI teve como objetivo apurar a atuação, expansão e financiamento de facções criminosas e milícias em diferentes regiões do país. Ao longo dos trabalhos, foram ouvidas autoridades, especialistas e representantes das forças de segurança, além de analisados documentos e dados sigilosos.
As investigações buscaram identificar lacunas na legislação e falhas na integração entre órgãos de combate ao crime organizado, com foco em propor medidas mais eficazes para enfrentar essas organizações.
Encerramento sem prorrogação
A comissão encerra suas atividades dentro do prazo original, após decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que optou por não prorrogar os trabalhos em razão do contexto eleitoral. A medida acelerou a consolidação do relatório e aumentou a pressão sobre os parlamentares na reta final.

