A bolsa de valores é a principal instituição que permite aos investidores, entidades e pessoas físicas negociar dentro do mercado financeiro. É por meio da Bolsa que os interessados podem comprar e vender ações de empresas do Brasil e do exterior, títulos de renda fixa, fundos imobiliários, derivativos, taxas de juros, commodities e até créditos de descarbonização.
Existem diversas bolsas pelo mundo e, no Brasil, há somente a B3 em operação — mas nem sempre foi assim e o cenário ainda pode mudar. Vale lembrar que a B3 realiza suas operações de forma digital, mas possui sua base localizada na cidade de São Paulo, no Centro Histórico da capital.
Antonio Pavesi, economista e especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, explica que, historicamente, o Brasil já teve várias bolsas, ao mesmo tempo em que também teve várias quebras e crises, acompanhando períodos de instabilidade econômica, algo marcante no país.
“Hoje, ela ficar em São Paulo se explica pela maior solidez econômica e pela concentração do ecossistema financeiro na região. Além dos grandes bancos, o mercado de asset management, corretoras e wealth management ainda ser dominante em São Paulo”, afirma Pavesi.
De acordo com o Bora Investir, a B3 também é responsável por administrar todo o sistema de registro, depósito, negociação, compensação e liquidação das operações. Fica à cargo da instituição ainda oferecer produtos e serviços para análise e aprovação de crédito.
O período de tempo em que as negociações são realizadas é chamado de pregão. Atualmente, ele acontece por volta das 10h às 17h (horário de Brasília), ou seja, a Bolsa “abre” às 10h e “fecha” às 17h. Caso uma compra ou venda seja solicitada após esses horários — que podem variar a depender do negócio —, a operação será validada no dia útil seguinte. A Bolsa opera de segunda à sexta-feira.
Rio de Janeiro quer abrir uma Bolsa de Valores. Como ficaria o mercado?
No ano passado, o mercado discutiu ativamente sobre o projeto da bolsa do Rio de Janeiro, ligado à ATG/Flowa e controlado pelo fundo árabe Mubadala. Recentemente, foi anunciado pelo CNBC que a chamada Base Exchange deve estar em operação em 2027, prometendo oferecer tecnologia moderna, liquidez e preços mais justos.
O especialista cita que ter duas bolsas no país pode ser interessante para o investidor porque cria um novo caminho e um novo ambiente para investir.
“Acredito que a concorrência tende a trazer menores custos (para investidores e empresas, inclusive em IPO) e pode aumentar a competitividade do mercado brasileiro”, afirma.
Há aqueles que duvidem da possibilidade do Brasil sustentar duas bolsas, mas Pavesi acredita que é possível. Para ele, o sistema financeiro brasileiro já é relativamente sólido, com regras claras, e a demanda pelo mercado de capitais vem crescendo (empresas e investidores). Com isso, há espaço para uma segunda bolsa funcionar, desde que consiga ganhar escala e liquidez.
“Apesar do entendimento de que a B3 tem prestado serviços de alto nível para o mercado, considerando a oferta de produtos, robustez das estruturas operacionais, controles de riscos, entre outros, a potencial concorrência é vista de forma positiva pelo mercado, dado que pode ser um novo vetor para impulsionar inovações e custos mais competitivos para os participantes do mercado”, comenta o economista.
A princípio, o especialista em investimentos também reforça que isso não incomodaria São Paulo como atual polo econômico. Isso porque o tamanho do mercado brasileiro comportaria uma nova bolsa, a exemplo do que existe em outros mercados e do que já existiu no próprio Brasil.
“Com o tempo, se a bolsa carioca crescer, o Rio pode fortalecer seu mercado de capitais e virar um polo maior, tendendo a somar com o dinamismo paulista e trazendo os benefícios da volta de um mercado financeiro ativo para a cidade. Por ora, não parece que ameaçaria o domínio de São Paulo, e sim teria potencial para ampliar o mercado como um todo”, avalia.
Como investir na Bolsa?
Para investir em algum título negociado em Bolsa de valores, seja ele nacional ou estrangeiro, é necessário estar vinculado a um banco ou instituição financeira.
Elas são autorizadas a oferecer ativos para aplicação em Bolsa, garantindo as opções que mais se alinham ao perfil de investidor do usuário.
Vale lembrar que a maior parte dos títulos em qualquer bolsa de valores, com exceção da renda fixa, configuram como renda variável e oferecem maiores riscos ao patrimônio. É essencial ter um planejamento financeiro estruturado e um objetivo para compreender se investir em ações, por exemplo, são a melhor opção no seu caso.
B3 nasceu em 2017, mas a Bolsa existia há mais tempo
Hoje, o Brasil possui somente uma bolsa de valores, mas o país já chegou a ter uma por estado. De acordo com o Bora Investir, a B3 como ela é hoje surgiu em 2017, fruto da consolidação do mercado financeiro em torno da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da fusão com a BM&F, responsável pelas negociações de títulos públicos e commodities, e a Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip).
A Bolsa de Valores também é regulada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Por sua vez, o nome B3 foi estabelecido por trazer um novo significado para a fusão das bolsas do país: Brasil, Bolsa e Balcão.

