A Raízen, conforme explicado pelo O Brasilianista, entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março para suprir aproximadamente R$ 65 bilhões em compromissos financeiros, em um dos maiores processos do tipo no país. Desde então, muitos cenários surgiram para a empresa.
De acordo com a Invest News, os credores da companhia apresentaram recentemente uma nova proposta de reestruturação, que conta com uma injeção de capital de cerca de R$ 8 bilhões (US$ 1,6 bilhão), mas que exige a saída de Rubens Ometto, fundador da Cosan, como presidente do conselho.
Credores da Raízen passaram a exigir até 90% da empresa em troca da conversão de cerca de 45% da dívida. A proposta supera a fatia de 70% anteriormente sugerida pela companhia e ocorre dentro do processo de reestruturação extrajudicial iniciado em março.
A negociação envolve detentores de títulos e bancos que buscam ampliar participação acionária como forma de compensar riscos financeiros.
No entanto, a nova proposta deve enfrentar resistência. Os controladores Shell e Cosan resistiram a pedidos por mais aportes na semana passada, segundo fontes familiarizadas com o assunto.
A empresa tenta negociar um acordo mais amplo para evitar a recuperação judicial. As partes têm até 6 de junho, prazo legal, para chegar a um acordo extrajudicial com apoio suficiente.
Instituições financeiras também pressionam por condições mais favoráveis, incluindo ameaças de restringir crédito a outras empresas do grupo Cosan caso não haja avanço nas negociações. Esse movimento amplia o alcance da disputa para além da própria Raízen.
Motivos que levaram a Raízen para a recuperação extrajudicial
Conforme já exposto pelo O Brasilianista, o mercado avalia que entre os fatores que levaram a empresa à situação atual estão o aumento do endividamento e as crescentes perdas financeiras registradas. Em três trimestres, a Raízen registrou perdas de R$ 19,8 bilhões, bem como teve recuo de R$ 197,5 bilhões para R$ 174,5 bilhões em suas receitas, apontam informações do Uol.
Com a crise financeira desde de 2024, os registros apontam que a dívida líquida apresentou crescimento de 43,5%. Além disso, o endividamento líquido chegou a R$ 55,3 bilhões. No ano anterior, o valor era de R$ 38,6 bilhões, bem como passou a representar 5,3 vezes o total do lucro operacional da companhia.
Recentemente, o Relatório de Resultados da empresa sobre o 3º trimestre expôs que a companhia precisou aplicar procedimentos contábeis que resultaram em um impairment de R$ 11,1 bilhões, um ajuste contábil que reduz o valor de determinados ativos para refletir sua capacidade de recuperação, incluindo tributos diferidos e a recuperar e ágio sobre rentabilidade futura.
“Tais provisões não possuem efeito de caixa e poderão ser futuramente revertidas à medida que as circunstâncias macroeconômicas da indústria melhorem e a Companhia equacione sua estrutura de capital”, informou a Raízen.
Plano de reestruturação original
O pedido de reestruturação da Raízen, que é o maior já realizado no país, propõe a conversão de parte dos créditos sujeitos em participação acionária na companhia, a substituição de parte dos créditos sujeitos por novas dívidas e a reorganizações societárias. Uma das principais ações para alcançar a quitação das dívidas é a venda de ativos do grupo.
Segundo informações do Poder 360, acionistas avaliam a possibilidade de aportar aproximadamente R$ 4 bilhões na companhia, com o intuito de reforçar o caixa da empresa. A expectativa é que a Shell contribua com cerca de R$ 3,5 bilhões para o plano de capitalização, bem como um veículo ligado à Cosan possa aportar R$ 500 milhões para a reestruturação.
Cosan e Shell podem perder controle da Raízen?
Segundo a CNBC, as empresas Shell e Cosan podem perder participação de maior poder na Raízen caso o plano de reestruturação avance nos termos discutidos com credores.
Isso aconteceria caso parte da dívida se tornasse ações, o que diluiria a fatia dos atuais controladores.

