O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não tem direito de se levantar pela manhã e ameaçar um país”, ao comentar a atuação americana em conflitos internacionais durante entrevista concedida ao El País em Brasília.
Declarações sobre Trump e atuação internacional
Como informou o El País, Lula direcionou críticas ao comportamento do presidente americano ao tratar da condução da política externa e do uso de força militar em conflitos recentes.
O presidente afirmou que Trump “está jogando um jogo muito equivocado” ao adotar uma estratégia baseada no poder econômico, tecnológico e militar dos Estados Unidos como instrumento de pressão sobre outros países.
Na entrevista, Lula também declarou que “quando alguém é chefe de Estado deve respeitar a soberania de outros países”, ao defender limites para ações unilaterais e decisões que envolvem intervenções internacionais.
O presidente brasileiro demonstrou incômodo com a forma como decisões militares são tomadas e afirmou que não é aceitável que lideranças utilizem ameaças como instrumento político.
Questionamentos sobre guerras
Lula ampliou as críticas ao citar o aumento de conflitos no mundo e o impacto das decisões de grandes potências no cenário internacional.
O presidente afirmou que “estamos diante de uma situação muito, muito delicada”, ao mencionar o número de guerras simultâneas e o risco de escalada global.
Ele também relacionou os custos desses conflitos à falta de investimentos em áreas sociais e disse que “com a metade disso, acabamos com o analfabetismo, o problema energético mundial e a fome”.
Na entrevista, Lula ainda criticou diretamente decisões envolvendo o Irã e afirmou que ações militares podem gerar efeitos econômicos, como aumento do preço dos combustíveis, com impacto direto na população.
Defesa de liderança baseada em negociação
Lula afirmou que prefere um modelo de liderança voltado ao diálogo, em contraposição ao uso de força nas relações internacionais.
O presidente declarou que prefere “ser um líder respeitado, não um temido”, ao comentar o papel que considera adequado para chefes de Estado.
Ele também disse que já havia alertado Trump sobre a necessidade de diálogo entre países e afirmou que líderes devem atuar com responsabilidade nas decisões que envolvem outros governos.
Ainda na entrevista, Lula criticou o funcionamento das instituições internacionais e declarou que “chegou o momento de redefinir as Nações Unidas para dar credibilidade”.
Declarações sobre Milei e relação com a Argentina
Lula também fez críticas ao presidente da Argentina, Javier Milei, ao tratar da relação entre os dois países. O presidente brasileiro afirmou: “Não tenho nenhuma relação com o presidente Javier Milei nem tenho interesse em ter”, ao comentar o posicionamento político do governo argentino.
Ele também declarou que as decisões de Milei “não me deixam nervoso” e afirmou que o líder argentino “tem que resolver seus problemas com o povo argentino”.
As declarações foram dadas ao abordar a concessão de status de refugiado político a um condenado pelos atos de 8 de janeiro, tema que gerou reação do governo brasileiro.
Posição sobre influência externa na América Latina
Lula criticou a atuação dos Estados Unidos em países da região e afirmou que não cabe a potências externas interferirem em decisões internas.
O presidente declarou que “o que não pode acontecer é que os Estados Unidos achem que podem administrar a Venezuela”, ao comentar a crise no país vizinho.
Ele também afirmou que a resolução de conflitos deve ocorrer por meio de processos internos e negociação, sem imposição externa.
Na entrevista, Lula reforçou que prefere resolver disputas por meio do diálogo e disse: “Minha guerra é a do argumento”.
Declarações sobre eleições
Lula também comentou o cenário político brasileiro e afirmou que pretende disputar novamente a Presidência.
O presidente declarou que “o bolsonarismo não voltará a governar este país porque o povo prefere a democracia”, ao abordar a disputa eleitoral.
Ele afirmou ainda estar “muito comprometido” com a possibilidade de candidatura e disse que sua prioridade é garantir que a população tenha acesso a informações corretas.

