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Geopolítica

Governo quer expulsar agentes policiais dos EUA após pedido de saída de delegado brasileiro

O presidente Lula falou em reciprocidade caso policial do Brasil envolvido na investigação de Alexandre Ramagem seja expulso

Governo quer expulsar agentes policiais dos EUA após pedido de saída de delegado brasileiro

O governo brasileiro pode expulsar agentes estadunidenses que trabalham no Brasil em resposta a um pedido dos Estados Unidos para a remoção de um delegado da Polícia Federal (PF) do território norte-americano.

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A autoridade brasileira em questão estaria envolvida no caso da prisão de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). As informações são da Agência Brasil.

Vale lembrar que os EUA e Brasil possuem um acordo de cooperação policial, o que permite que delegados da PF trabalhem em território americano e agentes norte-americanos atuem por aqui.

Lula fala em reciprocidade

Nesta terça-feira (21), durante sua viagem à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou com jornalistas e afirmou que o governo deve aplicar a reciprocidade caso a remoção do delegado seja efetuada.

“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula.

“Nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que alguns personagens americanos querem ter com relação ao Brasil”, continuou.

O que aconteceu?

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos (EUA) publicou na rede social X nesta segunda-feira (20) que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” do país.

Na mensagem, o órgão estadunidense informou que o delegado teria tentado contornar mecanismos formais de cooperação jurídica. Nenhum nome foi citado.

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, afirma a declaração.

O ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, foi detido nos Estados Unidos pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) no último dia 13 de abril e ficou em prisão na Flórida durante dois dias.

Conforme mostrado pelo O Brasilianista, tudo indica que a detenção de Ramagem aconteceu devido a uma leve infração de trânsito, mas que ele estava legalmente nos EUA.

Vale lembrar que Alexandre Ramagem é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e fugiu aos EUA durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) acusado de participação na trama golpista. Além de perder o mandato, ele foi condenado a 16 anos de prisão.

Após a condenação, o ministro e relator do caso, Alexandre de Moraes, solicitou a extradição de Ramagem para o cumprimento da pena no Brasil, que ainda é analisada pelo Departamento de Estado. O ex-parlamentar entrou com pedido de asilo no país norte-americano, o que garantiria condição legal de morar no local.

Segundo novas informações, de acordo com a Agência Brasil, a Polícia Federal informou que a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração estadunidense ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre o Brasil e os Estados Unidos.

No Brasil, o ex-parlamentar foi considerado culpado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado de Direito e golpe de Estado.

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