O presidente da Argentina, Javier Milei, chegou à política do país há poucos anos e construiu a sua trajetória pública com base em características marcantes de seus discursos. Após a vitória no primeiro turno das eleições de 2023, o economista argentino prometeu ao eleitorado acabar com o “kirchnerismo”, movimento argentino de centro-esquerda, assim como criticou o que define como um “modelo de castas”, em crítica à ideia de que onde há necessidade, existe um direito.
“Essa alternativa competitiva não só acabará com o kirchnerismo, mas acabará com a casta parasitária, esporádica e inútil deste país. Estamos diante do fim do modelo de castas, baseado naquela atrocidade que diz que onde há necessidade, há um direito, mas esquece-se que esse direito tem que ser pago”, afirmou Javier Milei, aponta o O Globo.
Defesa do mercado ilegal de órgãos
Ainda como candidato, em 2022, o argentino chamou atenção ao defender a possibilidade da venda de órgãos. Em entrevista à, Rádio Mitre, Javier Milei afirmou que entende a prática ilegal como “mais uma no mercado global”, baseada na liberdade individual de decisão, segundo informações do jornal Tudo Notícias.
“É uma decisão pessoal. Por que eu não posso decidir sobre o meu corpo? Meu corpo é meu bem mais precioso, então por que eu não deveria poder dispor dele? O Estado não tem controle sobre o meu corpo?”, disse. “Se você não comprar o órgão que ele precisa vender por causa da fome, ele acaba morrendo de fome, então ele nem sequer tem uma vida”, argumentou o presidente.
Na época, a declaração foi duramente criticada pelo Instituto Nacional de Coordenação Central para Ablação e Implantação (Incucai), que alertou para a possibilidade do posicionamento incentivar a prática proibida pela Lei de Transplantes. “A doação baseia-se em uma decisão altruísta e desinteressada e, portanto, não pode envolver qualquer compensação financeira”, disse o órgão argentino.
Outros posicionamentos
A sua trajetória política é marcada também por falas viralizadas relacionadas à mulheres, assim como críticas ao Estado. O presidente Javier Milei aparece com frequência na mídia por adotar uma postura de distanciamento em relação à China, ao afirmar diversas vezes que não faz acordo com comunistas, bem como criticar a justiça social, segundo o Cronista.
“Dizem que o capitalismo é ruim porque é individualista e o coletivismo é bom porque é altruísta e, consequentemente, lutam pela ‘justiça social’. Mas esse conceito, que se tornou moda no mundo desenvolvido na última década, é uma constante no discurso político do meu país há mais de 80 anos. O problema é que a justiça social não só é injusta, como também não contribui para o bem-estar geral”, afirmou em seu discurso em Davos.
Declarações que também rivalizaram na mídia internacional:
- Sobre a venda de órgãos, Milei disse também: “Há 7.500 pessoas sofrendo, esperando transplantes. Alguma coisa não está funcionando bem. Vamos buscar mecanismos de mercado para resolver este problema”, aponta o Uol.
- Em entrevista para a TV, após a vitória primária, o argentino disse que o Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet) poderia ser eliminado: “Que fique nas mãos do setor privado, que (os cientistas) ganhem dinheiro servindo ao próximo com bens de maior qualidade a melhor preço, como fazem as pessoas de bem”.
- Em 2024, ele afirmou ser contra a legalidade do aborto, permitido desde 2020 no país. Em palestra para estudantes do colégio Cardeal Copella, ele disse: “Quando se constrói com base em um princípio moral incorreto, o resultado é sórdido. Como pode ser um direito adquirido matar outros seres humanos?”, afirmou. “Para mim, o aborto é um assassinato agravado pelo vínculo e posso mostrar-lhes isso de uma perspectiva matemática, filosófica e do liberalismo”.
- Em 2022, durante Feira do Livro, Milei utilizou o momento para afirmar que prometia fechar o Ministério das Mulheres, assim como ponderou não sentir vergonha por ser um homem branco: “Não haverá marxismo cultural no meu governo. Não vou me desculpar por ter um pênis. Não tenho motivos para me envergonhar de ser um homem branco, loiro e de olhos azuis. Ministério da Mulher, tome nota, porque a única igualdade que importa é a igualdade perante a lei”, segundo informações do Tudo Notícias.

