Publicidade
Economia

Empresas enfrentam dificuldades para contratar profissionais de tecnologia qualificados

Há diversas lacunas na trajetória e experiência dos talentos da área

Empresas enfrentam dificuldades para contratar profissionais de tecnologia qualificados

98% das empresas têm dificuldade para encontrar profissionais de tecnologia qualificados, uma realidade que freia o crescimento e a inovação desse mercado. É o que indica a pesquisa “Mercado de Trabalho Tech: Raio-X e Tendências”, desenvolvida pela Ford em parceria com o Datafolha.

Publicidade

Com diversas lacunas nas qualificações necessárias, o estudo revela que o tempo para preencher vagas se estende. Apenas 14% das empresas conseguem fazer a contratação em menos de um mês, enquanto 50% levam entre um e dois meses. Outras 25% demoram de dois a três meses para realizar contratações e 11% chegam a exceder quatro meses de busca.

Atualmente, boa parte das pesquisas de recrutamento são realizadas pelo LinkedIn (60%), mas outros relevantes 15% costumam surgir em bancos de talentos — ou seja, aqueles que já tiveram algum tipo de contato naquela empresa.

O estudo foi realizado com 250 líderes de RH e Tecnologia da Informação (TI) de médias e grandes empresas para compreender os principais desafios e tendências do setor. A amostra abrange profissionais responsáveis por contratações em todas as regiões do país, em segmentos como tecnologia, varejo, serviços, educação, finanças e saúde.

“Os dados revelados por este estudo inédito com o Datafolha reforçam que o descompasso entre a velocidade da inovação e a disponibilidade de profissionais qualificados é um dos grandes desafios do mercado hoje. Na Ford, acreditamos que enfrentar esse cenário exige democratizar o acesso ao conhecimento tecnológico conectado às demandas do mercado”, comenta Pamela Paiffer, diretora de Comunicação e Responsabilidade Social da Ford América do Sul, em nota.

Baixa qualificação dos profissionais de tecnologia

A falta de conhecimento técnico é um dos principais desafios enfrentados, por cerca de 72% dos respondentes, seguido pela ausência de experiência (54%).

Entre as habilidades técnicas, as mais difíceis de preencher são as de especialistas em inteligência artificial (35%) e engenheiros de software (31%). Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que conhecimentos em Segurança da Informação (30%) e Inteligência Artificial e Machine Learning (29%) são os mais escassos.

Porém, ter competência técnica já não é suficiente. Isso porque as habilidades comportamentais — as famosas “soft skills” — são critérios frequentes de eliminação em processos seletivos para 37% das empresas.

Falta de inteligência emocional (36%) e pensamento crítico e capacidade de resolver problemas (33%) são as principais lacunas desses candidatos.

Outra característica de educação aparece em destaque: 78% das empresas desclassificam candidatos que não possuem domínio do inglês. Nesse setor, boa parte da linguagem é realizada em inglês, o que pode dificultar ou atrasar o processo de produtividade do colaborador.

Geração Z pede nova estrutura empresarial

O estudo também revela as prioridades da Geração Z e os desafios da diversidade. Em geral, os jovens costumam ser mais aptos com a tecnologia e rápidos no aprendizado, mas exigem uma nova estrutura nas culturas empresariais.

Para esses jovens talentos, o salário (53%), a flexibilidade na jornada de trabalho (49%) e equilíbrio entre vida pessoal e profissional (39%) são os principais fatores na hora de decidir onde trabalhar.

Paralelamente, 93% das empresas admitem ter dificuldades em encontrar candidatos de grupos subrepresentados.

Futuro do mercado tech

Nos próximos dois anos, 46% das empresas afirma que a IA deve ser o principal motor de mudança no mercado tecnológico.

A necessidade de qualificação profissional aparece em segundo lugar (29%), seguida por inovações tecnológicas (17%).

A pesquisa prevê ainda que as “soft skills” serão as habilidades mais difíceis de encontrar no futuro (citadas por 50% das empresas), superando as “hard skills” (44%).

“A pesquisa mostra que a IA já está mudando o mercado, mas para que ela entregue valor real é preciso ter dados organizados, contexto e profissionais preparados para transformar informação em decisão. Quando vemos que IA, Machine Learning e Segurança da Informação estão entre as áreas mais difíceis de contratar, fica claro que o desafio das empresas é duplo: investir em tecnologia e, ao mesmo tempo, desenvolver talentos e fortalecer sua base de dados”, diz Djalma Brighenti, diretor de TI da Ford América do Sul, também em nota.

Siga O Brasilianista nas redes sociais