A companhia aérea de baixo custo em falência, a Spirit Airlines, anunciou o cancelamento de todos os voos dos Estados Unidos a partir do último sábado (02). As informações são do g1.
“Todos os voos da Spirit foram cancelados e os passageiros da Spirit não devem se dirigir ao aeroporto”, informou a companhia aérea em um comunicado à imprensa.
Apesar da tentativa de evitar o fechamento da empresa, a reunião do conselho da Spirit não conseguiu um acordo de recuperação para salvar a companhia.
Além das milhares de demissões que a crise deve gerar, os preços das passagens aéreas para os americanos podem subir devido à perda de competitividade entre as companhias disponíveis. Vale destacar que esta é a primeira falência causada, ainda que em parte, pela crise energética em meio a guerra com o Irã.
O presidente Donald Trump também havia proposto repassar US$ 500 milhões para salvar a empresa, mas contou com a oposição de aliados e muitos republicanos no Congresso.
Como a crise energética e o preço das passagens aéreas se relacionam?
A guerra entre EUA e Irã resultou, além da destruição de territórios e ataques a civis, um bloqueio de uma das passagens mais importantes de petróleo do mundo: o Estreito de Ormuz.
Controlado majoritariamente pelo Irã, a região transporta 20% da demanda energética mundial. No entanto, seu bloqueio diminui a oferta em um período de alta demanda, o que sobe exponencialmente os preços dos barris — que já estão acima de US$ 100.
Para países que não possuem produção própria de combustíveis, como é o caso dos EUA, o valor final ao consumidor subiu muito, bem como a inflação. Para as companhias aéreas, o querosene de aviação também aumenta, o que é cobrado nas passagens.
Como funciona quando companhias aéreas cancelam ou atrasam voos no Brasil?
A falta de querosene de avião encarece os preços das passagens aéreas e trajetos, além de reduzir a frota, o que pode gerar cancelamentos e remarcações de voos de última hora.
Nos EUA, há uma regulamentação específica para esse tipo de situação. No Brasil, os consumidores possuem uma série de direitos quando isso acontece.
Segundo o advogado especialista em Direito do Consumidor, Guilhermo Arnoud, da MBW Advocacia, em entrevista a esta matéria do O Brasilianista, quando o voo é cancelado, o passageiro não fica refém da companhia aérea.
“Diante do cancelamento, a escolha é do passageiro, não da companhia: ele pode optar pela reacomodação em outro voo, pelo reembolso ou pela execução do serviço por outra modalidade de transporte, quando cabível”, explicou, reforçando que a reacomodação é gratuita.
“Esse dever não desaparece porque a companhia invoca combustível caro, readequação de malha, custo operacional ou crise setorial. Tais circunstâncias podem até ser discutidas em eventual ação indenizatória, mas não eliminam os deveres regulatórios imediatos perante o passageiro”, continuou Arnoud.
Focando na justificativa de falta de combustível, ela deve ser vista com cautela.
“Se estivermos falando apenas de combustível mais caro e corte estratégico de rotas menos rentáveis, isso é risco econômico da atividade empresarial e não pode ser transferido integralmente ao consumidor”, disse o especialista.

