A indicação de Jorge Messias ao cargo do Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada no Senado e o cenário político mudou novamente, com outras possibilidades e efeitos para 2026. Um nome que ressurge em meio à rejeição na sabatina é o do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Um dos principais nomes cotados para o STF, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha outros planos para Pacheco, como a composição da chapa de governador de Minas Gerais. Essa posição, inclusive, gerou um afastamento do Senado e Planalto durante alguns meses.
Como explicado nesta matéria do O Brasilianista, embora o episódio tenha força simbólica em Brasília, o impacto direto sobre a eleição presidencial ainda aparece limitado na avaliação do jornalista, professor aposentado da UnB e consultor político Hélio Doyle.
“Não há relação direta entre a rejeição e o voto em outubro. O eleitorado que ainda não se decidiu entre [Flávio] Bolsonaro e Lula não vai decidir o voto porque o Senado rejeitou uma indicação ao STF”, disse o especialista.
Segundo ele, quem mais sofre com essa decisão é o governo, que reduz sua capacidade de conduzir sua agenda política diante do Congresso.
Dúvida sobre a candidatura de Pacheco
Integrantes do PT avaliam se Pacheco ainda é um nome confiável dentro das estratégias de Lula.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, deve telefonar Pacheco nesta terça-feira (05) para discutir sua candidatura e entender se ele realmente vai concorrer, segundo interlocutores ouvidos pelo Correio Braziliense.
Nos bastidores, a percepção é de que o senador ajudou a ir contra a votação de Messias, prejudicando as outras chapas. Para o partido, Pacheco deve decidir se será candidato. Neste cenário, os petistas avaliam o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), como alternativa.
Além disso, parlamentares aliados ao governo desconfiam que o senador Rodrigo Pacheco estaria sabendo da movimentação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para barrar a indicação de Messias e não avisou o governo.
Vale lembrar que publicamente, porém, Pacheco declarou apoio a Messias e organizou o encontro entre Messias e Alcolumbre antes da sabatina.
De acordo com o Estado de Minas, o senador declarou a aliados que descarta a possibilidade de ser indicado no lugar de Jorge Messias para o STF. Para ele, o Supremo é “página virada”.
A rejeição de Messias
Jorge Messias, o advogado-geral da União (AGU), foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga aberta na Corte Suprema após a aposentadoria de Luis Roberto Barroso.
Em sabatina na semana passada, seu nome foi rejeitado por 42 a 34 votos. Essa é uma derrota histórica para o governo federal, visto que é a primeira rejeição de um ministro desde a redemocratização, em 1988.
Agora, o AGU espera por novas orientações de como deve seguir no governo Lula e o que esperar das eleições de 2026. Alguns já cogitam a possibilidade dele entrar para o Ministério da Justiça.
O presidente Lula já havia informado aos seus aliados que não indicaria outro nome ao cargo, em caso de rejeição de Messias.

