Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, afirmou que Rui Costa, Alexandre Silveira e Jaques Wagner apoiavam a compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB).
Alexandre Silveira é ministro de Minas e Energia do Governo Lula. Rui Costa chefiou a Casa Civil do atual presidente da República e tentará se reeleger senador neste ano. Jaques Wagner, que também disputará a reeleição para o Senado, era líder da gestão petista na Casa Alta até a Polícia Federal (PF) passar a investigá-lo justamente por sua relação com o Master.
A menção ao apoio dos três políticos à operação que evitaria a quebra do Banco Master foi descoberto pela PF na apuração da Operação Compliance Zero, que investiga as diversas fraudes praticadas por Vorcaro por meio da instituição financeira liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Vorcaro citou o trio ao ser questionado sobre quais políticos eram favoráveis à aquisição do Master pelo BRB. A resposta do banqueiro, conforme detalha o relatório da PF foi: “Rui [Costa], Jaques [Wagner], Alexandre Silveira”. As informações foram apresentadas pelos policiais federais ao Supremo Tribunal Federal (STF) num relatório de 98 páginas.
Outro elemento correlacionado pela PF é que Augusto Lima, que tinha um pagamento pendente relacionado à compra do banco, enfrentava dificuldades financeiras para concluir a aquisição. Eduardo Sodré o cobrava para que efetuasse o pagamento à BN Financeira.
A dificuldade de Augusto Lima estava relacionada à rejeição, pelo Banco Central, da compra do Master pelo BRB. Os investigadores entendem, então, que o apoio político do senador e os pagamentos feitos ao núcleo familiar do parlamentar faziam parte das trocas de favores entre os dois.
Quando passou a tratar do encontro no gabinete
No dia 25 de agosto de 2024 (e não em 19 de abril de 2024), Wagner falou a Augusto que precisava encontrá-lo. Disse que “precisava conversar para saber como estavam as coisas do banco”. A PF explica que essa mensagem passava a tratar do Banco Master e dos projetos que o “afetavam no Congresso Nacional”.

No dia seguinte, 26 de agosto, Augusto Lima perguntou ao senador em qual horário eles poderiam se encontrar. Eles trataram dessa informação por telefone. Mais tarde, às 19h42, o então CEO do Banco Master avisou a Wagner que estava no Congresso.
Jaques Wagner respondeu que não poderia encontrá-lo naquele momento, pois estava em uma reunião no Planalto. Nesse ponto do relatório, não há qualquer citação a Jorge Messias. O senador apenas pediu que eles se encontrassem no dia seguinte, 27 de agosto de 2024, em seu gabinete.

Esse documento anexo trata da emenda do senador à Medida Provisória nº 1.106/2022, que amplia a margem de crédito consignado para beneficiários do Regime Geral de Previdência Social.
“[…] após a publicação da emenda e encaminhamento do texto ao parlamentar, seguido de encontro presencial com nova menção à emenda, configura, em juízo indiciário, padrão de acompanhamento direto, pelo senador Jaques Wagner de pauta legislativa de interesse do grupo investigado”, diz o relatório.
A investigação ainda mostrou que, em agosto de 2024, Guilherme Sodré trocou uma mensagem com Daniel Vorcaro sobre um tema que precisava ser mantido em sigilo. Após a ligação entre os dois, Sodré disse que o chefe de gabinete do senador iria “acertar os detalhes” desse encontro.
Eles passaram, ainda no mesmo dia, a conversar sobre o Will Bank, e Lima encaminhou uma notícia que tratava da tentativa do governo federal de barrar uma proposta que estava no Congresso e que colocaria em risco o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A proposta que preocupava Lima, e sobre a qual ele já havia conversado no mesmo mês com Wagner, era a PEC nº 65/2024, que trata do regime jurídico do Banco Central e inclui mudanças no FGC, além de fixar regras de funcionamento e limites de cobertura para depósitos de até R$ 1 milhão por pessoa.
Conversas sobre as conquistas do Master
Augusto Lima também passou a encaminhar, com mais frequência, notícias ao senador sobre mudanças no quadro de acionistas do banco, além da aprovação, pelo Banco de Brasília, da aquisição do controle acionário e do requerimento que convocou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da operação entre as duas instituições.
Em 6 de setembro de 2024, após a mudança da estrutura acionária, Jaques Wagner comemorou com figurinhas. Em 4 de outubro, a Polícia Federal registrou em seu relatório que “ao ser informado sobre a elevação da avaliação de crédito (rating) do Banco Master pela agência Fitch, o senador respondeu com três figuras de mãos em oração”.
Em outubro de 2024, março e abril de 2025, os dois conversaram com mais detalhes sobre o Will Bank, a fintech do grupo Master, cujo desenvolvimento interessava a Jaques Wagner acompanhar. Wagner também foi informado por Augusto Lima sobre os termos da venda do Banco Master e de que ele continuaria no controle.
Wagner aplaudiu a informação, e Augusto Lima respondeu ao senador: “Você, mais do que ninguém, sabe da minha história e faz parte disso!”
O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.

