No início desta semana, após a entrega dos primeiros anexos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, os investigadores da PF (Polícia Federal) que estão atuando no caso do Banco Master avaliam uma possível assinatura de múltiplos acordos de colaboração premiada.
De acordo com alguns investigadores, o conjunto de provas reunidas é considerado “robusto” e, por conta disso, exige um nível maior em relação a novas delações. A avaliação da PF é de que novos acordos só terão um avanço caso possuam informações inéditas, ainda mais relacionados a autoridades que não apareceram nas investigações e a ativos que não foram rastreados.
Bens apreendidos e potenciais colaboradores
Na fase atual do caso, já foram bloqueados ou apreendidos bens como joias, obras de arte, aeronaves e carros de luxo. Além disso, contas bancárias e fundos ligados a Vorcaro foram rastreados. Integrantes da PF dizem estar abertos para ouvir novos interessados em colaborar, mas há a necessidade de conteúdos relevantes e que possam servir de maneira efetiva para o avanço das investigações.
Os possíveis colaboradores contam com nomes como o de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), o advogado Daniel Monteiro e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. O investigadores realizam o rastreio de ativos e bens do ex-banqueiro no Brasil e também no exterior, visando uma recuperação de, pelo menos, R$ 50 bilhões, que é a estimativa do prejuízo causado pelas fraudes. Os recursos podem ser de destino as instituições financeiras, empresas, ressarcimento de clientes e ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
Ativos não localizados
A principal expectativa dos investigadores é que Vorcaro fale sobre os ativos que ainda não foram localizados, principalmente no exterior, como offshores. O que se é entendido é que ele possui informações primordiais sobre a localização do dinheiro, já que gerenciou o suposto esquema.
Para a recuperação dos recursos, meios indicados pelo ex-banqueiro podem beneficiá-lo com uma possível redução de pena. A entrega desse patrimônio desconhecido é tratada como um ponto-chave das negociações feitas pela colaboração.
De acordo com a legislação premiada, o juiz pode conceder uma redução de pena de até dois terços ou até mesmo o perdão judicial caso a colaboração na investigação seja efetiva. Isso inclui a recuperação parcial ou total dos valores gerados nos crimes.
Mesada a Ciro Nogueira
Como noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, a PF informou, por meio de um relatório, que Ciro Nogueira, presidente do PP, recebeu uma mesada desde 2021 de Daniel Vorcaro. O valor, que começou em R$ 300 mil, aumentou para R$ 500 mil dois anos depois, em 2023. O ex-banqueiro também pagou viagens ao exterior e repassou diversos ativos por valores muito abaixo para o senador.
De acordo com a PF, Ciro e Vorcaro firmaram um processo para a obtenção de benefícios mútuos. Ou seja, enquanto o senador garantia uma influência política ao Banco Master, o ex-banqueiro bancava seus custos. Um dos episódios notados foi a apresentação feita por Ciro Nogueira de uma emenda à PEC 65/2023.

