O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da República Popular da China, Xi Jinping, têm reunião marcada para acontecer na manhã desta quinta-feira (14) no horário local, noite desta quarta-feira (13) no Brasil, pela primeira vez desde 2017. Os líderes vão se encontrar em Pequim.
O foco dos mercados globais está completamente dirigido a este evento, que pode render muitas novidades da relação entre as duas maiores economias do mundo. Para a China, o principal assunto deve ser o apoio dos EUA sorbe a questão de Taiwan, enquanto os americanos buscam acordos comerciais que podem desequilibrar as exportações de outros países — incluindo o Brasil.
Ainda assim, o principal tema a ser abordado deve ser a guerra tarifária entre os dois países, segundo informou O Brasilianista.
O economista especialista em Relações Internacionais Pedro Fernades, do Corecon-CE, diz ao O Brasilianista que há muitos assuntos na mesa.
“Conflitos no Oriente Médio e na Europa entram no cardápio, ainda que não sejam tratados de forma pública. Os EUA querem cooperação da China na resolução da crise com o Irã. A persistência do conflito afeta os dois, mas, com maior peso sobre a China que depende das importações de petróleo para sustentar sua supermáquina industrial”, afirma.
Trump precisa também assegurar o fornecimento de minerais críticos que hoje são fornecidos em grande quantidade apenas pela China. Dessa forma, minerais críticos, petróleo, conflitos, exportação de produtos agrícolas americanos, e tarifas devem ser os temas e também as cartas na mesa de negociação, de acordo com o especialista.
“O último encontro do Trump com o Lula teve o objetivo de fortalecer a “mão” do Presidente Trump na questão de minerais, mas pode não ser suficiente para obter sucesso na negociação com os chineses”, revela.
Brasil deve ficar de olho na reunião
Trump quer assegurar a China como comprador da cesta de produtos agrícolas produzidos pelos americanos, como soja e milho. Se ele obtiver sucesso, Fernandes explica que o agro brasileiro pode enfrentar uma queda significativa na demanda pelos seus principais produtos.
Outro ponto a se destacar, o governo brasileiro já tem programado aumento nas tarifas de importação de carros elétricos chineses.
“Um potencial acirramento do conflito comercial EUA vs China pode diminuir a complacência dos chineses e dos americanos com os impostos e outras medidas protecionistas utilizadas pelo governo brasileiro”, alerta o economista.
Apesar dos efeitos da reunião sobre o Brasil, é importante ponderar que — ao menos por ora — o governo brasileiro parece manter boas relações diplomáticas tanto com a China quanto com os EUA.
Como fica o investidor brasileiro?
Segundo Pedro Fernandes, em tempos de proliferação de conflitos, o Brasil, como grande exportador de commodities e um país relativamente neutro, é um território de paz geopolítica e econômica.
“Portanto, o investidor que está aportando no Brasil deve ter cautela, mas compreender que, dada as alternativas, a economia brasileira é uma das melhores opções no mercado, não só pela paz, mas principalmente pelos os altos juros proporcionados”, pondera.

