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Política

Como a Copa do Mundo pode influenciar as eleições de 2026? Especialista explica

Entenda o que pode pesar no pleito em ano de Mundial

Como a Copa do Mundo pode influenciar as eleições de 2026? Especialista explica

Vitórias e derrotas da seleção costumam alimentar narrativas de campanha e alterar o clima social por alguns dias, porém fatores como economia, emprego e segurança seguem no centro da decisão de voto.

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A Copa do Mundo de 2026 deve ocupar espaço no debate público em pleno ano eleitoral, mas o impacto direto sobre a escolha do eleitor tende a ser restrito. A avaliação é do cientista político e sociólogo Rodrigo Augusto Prando, professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Segundo ele, uma conquista da seleção brasileira pode elevar o otimismo coletivo e criar um ambiente mais favorável ao governo de ocasião. Já uma eliminação traumática pode ampliar frustrações já existentes. Ainda assim, esses movimentos costumam ser passageiros e não necessariamente mudam intenções de voto de forma consistente.

Para Prando, o peso maior continua concentrado em temas concretos do cotidiano. Economia, renda, custo de vida, emprego, saúde pública e segurança aparecem como elementos mais relevantes quando o eleitor chega à urna.

“O que importa politicamente não é a euforia de julho com a Copa do Mundo. É se ela ainda estará presente com força em outubro”, disse.

Histórico mostra uso político de vitórias esportivas

O professor lembra que governos frequentemente tentam se aproximar de grandes conquistas esportivas. No Brasil, um dos exemplos mais conhecidos ocorreu em 1970, quando a ditadura militar explorou simbolicamente o tricampeonato mundial conquistado no México.

Outro caso citado por ele envolve a Copa de 1994. Naquele momento, o país vivia a implantação do Plano Real, e o título da seleção coincidiu com a eleição presidencial vencida por Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda de Itamar Franco.

Prando pondera, porém, que não há comprovação automática entre triunfo esportivo e resultado eleitoral. Na visão dele, vários fatores atuam ao mesmo tempo, o que exige cautela ao ligar um evento ao outro: “Correlação não é necessariamente causa”.

Derrota também pode virar discurso eleitoral

Em entrevista exclusiva ao O Brasilianista, Rodrigo explicou que, se a seleção fracassar, o episódio também pode ser aproveitado politicamente. O pesquisador observa que grupos de oposição tendem a associar derrotas a uma ideia de desorganização nacional, enquanto governistas costumam separar futebol e gestão pública.

Ele ressalta que esse tipo de disputa acontece principalmente no campo simbólico. Em campanhas polarizadas, cada lado tenta transformar acontecimentos populares em mensagens favoráveis à própria base: “Em política, a vitória tem muitos pais e a derrota é órfã”.

Na prática, ele considera arriscado para qualquer grupo apostar excessivamente nesse tipo de associação. Quando o resultado esportivo é negativo, a narrativa pode se voltar contra quem tentou capitalizar antes.

Mudança emocional não é o mesmo que mudança de voto

Rodrigo Prando diferencia reações imediatas de transformações duradouras no comportamento eleitoral. Segundo ele, uma vitória importante pode melhorar temporariamente indicadores como confiança no país ou percepção geral do momento nacional.

Esses efeitos, contudo, tendem a perder força em poucas semanas. Já a intenção de voto costuma estar ligada a vínculos partidários, avaliação do governo e situação econômica pessoal.

“Você pode estar feliz ou triste, mas isso não vai mudar de maneira substantiva”, afirmou ao comentar o impacto esportivo sobre escolhas políticas.

Para o especialista, somente um evento capaz de alterar a percepção do eleitor sobre temas centrais teria potencial maior de mexer no voto.

Peso da Copa hoje pode ser menor

Na avaliação do docente, o alcance político da Copa pode ser menor do que em décadas anteriores. Ele cita a fragmentação da audiência, o avanço do streaming, o consumo acelerado de conteúdo nas redes sociais e a redução de consensos em torno da própria seleção.

Também menciona a disputa em torno de símbolos nacionais, como a camisa verde e amarela, que passaram a carregar significados políticos nos últimos anos. As campanhas acompanham tudo em tempo real. Equipes monitoram redes sociais, reações do público, índices de engajamento e oportunidades de comunicação ligadas ao torneio.

Mesmo assim, Prando vê baixa chance de uma mudança estrutural no pleito por causa do futebol. “Eu acho muito pouco provável”, resumiu.

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