A semana promete ser intensa nos bastidores da Câmara dos Deputados em torno da proposta que prevê o fim da escala 6×1, modelo de seis dias de trabalho para apenas um de descanso. Lideranças da Casa articulam reuniões e negociações consideradas decisivas para avançar no texto da PEC que trata da redução da jornada de trabalho no país.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, já organiza uma reunião com o presidente da comissão especial da proposta, Alencar Santana, e o relator da matéria, Leo Prates, para discutir os principais pontos do parecer final. A articulação está prevista para acontecer nos próximos dias, embora ainda não haja definição oficial sobre data e horário do encontro.
A expectativa é de que a reunião seja fundamental para alinhar os últimos ajustes antes da apresentação da primeira versão do relatório, prevista para quarta-feira (20). O texto deve consolidar o entendimento em torno da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso sem redução salarial.
Tensão
O principal ponto de tensão segue sendo a regra de transição. Parlamentares negociam alternativas para uma implementação gradual da nova carga horária, com possibilidades de redução escalonada de uma ou duas horas por ano até atingir o limite de 40 horas semanais.
Enquanto representantes do setor produtivo defendem um prazo maior de adaptação para empresas, integrantes da base governista pressionam por uma aplicação mais rápida da medida. Nos bastidores, porém, interlocutores avaliam que há espaço para um acordo intermediário.
Outro entendimento já costurado entre governo e Câmara é que categorias com jornadas específicas deverão ter regras discutidas posteriormente em projetos de lei separados, evitando travar a tramitação da PEC principal.
Dentro da Comissão
Além das articulações políticas, a comissão especial terá uma agenda cheia ao longo da semana, com debates e audiências envolvendo centrais sindicais e representantes do setor empresarial.

