As pesquisas divulgadas nesta terça-feira (19) pelo Datafolha mostraram que a maioria dos brasileiros quer que Lula indique para o Supremo Tribunal Federal (STF) uma mulher negra, religiosa, independente politicamente, mas que tenha afinidade mínima com o Congresso Nacional e seja fiel ao presidente da República responsável pela indicação.
Esse perfil é formado pelos 51% que defendem maior presença feminina na Corte e lealdade do indicado ao presidente que o indicou, os 47% que consideram a afinidade com o Congresso importante, os 64% que esperam independência dos indicados frente a políticos e partidos, e os 46% que entendem a necessidade de maior representatividade no STF e torcem para que o nome cogitado para o Tribunal tenha fé.
O perfil montado a partir dos dados mostra que o Brasil quer um ministro do STF conforme as promessas de Lula na campanha de 2022, quando o petista agitou sua militância prometendo mais representatividade feminina em cargos-chave do poder. Porém, O Brasilianista já mostrou que o presidente cumpriu pela metade o que prometeu.
Lula não indicou pessoas negras para o STF. Os únicos ministros da atual composição do Supremo que não consideram ter pele branca são o maranhense Flávio Dino e o piauiense Kassio Nunes Marques, que se definem como pardos.
Especificamente quanto ao gênero, Lula indicou mulheres em outras cortes superiores, onde a pressão política por influenciar na escolha é menor. O petista nomeou Daniela Teixeira e Marluce Caldas para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), Estela Aranha, Vera Lúcia Santa Araújo e Edilene Lôbo para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Verônica Abdalla Sterman para o Superior Tribunal Militar (STM).
Caso Lula indique Jorge Messias novamente em ano eleitoral, ele estará atendendo apenas parte dos anseios do eleitorado. Messias é religioso, é fiel ao petista e, apesar da resistência de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, sempre teve bom trânsito no Congresso Nacional.
A recusa da indicação de Messias pelo Senado também foi tema da pesquisa do Datafolha. Quase 60% dos brasileiros sequer sabem quem é Jorge Messias, que ele foi indicado por Lula para o STF e que o nome foi recusado pela maioria dos senadores.
Esse desconhecimento ajuda o governo, principalmente, porque metade dos 40% que acompanharam a derrota do governo viram na recusa de Messias pelo Senado mostras de fraqueza da terceira gestão de Lula. Como a maioria das pessoas desconhecem a situação, elas não têm opinião formada, limitando o alcance da falta de interlocução do governo no Congresso.
Péssimo STF
Outro dado que chama a atenção na pesquisa do Datafolha é a avaliação do trabalho do STF pela população. Aqueles que consideram a atuação da Corte ruim ou péssima somam 40%, mesmo percentual registrado em dezembro de 2019, último mês do primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro.
Naquele momento, o então presidente da República já tinha declarado guerra contra o Supremo com o vídeo que retratava a Corte e adversários políticos do bolsonarismo como hienas, enquanto Jair Bolsonaro era um leão tentando se defender.
Se antes o problema era Bolsonaro, agora, ele se chama Banco Master. A proximidade de ministros do STF com figuras envolvidas no Caso Master fez a população acreditar que a Corte não é tão isenta ou independente quanto se pensava.
Até agora, não há provas de que ministros do STF ajudaram a blindar Vorcaro. Mas isso não importa para uma população que se informa mais por pessoas do que por veículos noticiosos, ou que lê notícias rapidamente, por conta da correria do cotidiano.
O STF até tem proferido decisões que serviriam para mudar essa visão junto à população. Mas não se sabe — e este autor duvida muito — do alcance dessas informações e da capacidade em traduzir discussões constitucionais que envolvem questões filosóficas para o dia a dia do brasileiro.

