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Economia

71% dos trabalhadores afirmam não ter medo de demissão no trabalho; especialistas fazem alerta diante do fim da escala 6×1

O levantamento foi realizado nos dias 12 e 13 de maio

71% dos trabalhadores afirmam não ter medo de demissão no trabalho; especialistas fazem alerta diante do fim da escala 6×1

Em uma nova pesquisa Datafolha, 71% dos trabalhadores brasileiros acreditam que não correm risco de ficar sem os seus trabalhos ou de serem demitidos, enquanto 19% sentem que o risco disso acontecer é grande. A minoria, registrada em 9%, diz ter uma pequena chance de que isso aconteça. Os números apurados são os melhores desde março de 2013, quando 75% dos trabalhadores brasileiros não viam esse risco.

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O percentual das pessoas otimistas, pelas quais não esperam ficar sem seus trabalhos, é maior entre os funcionários públicos, com 84%, e os trabalhadores com 60 anos ou mais, relativo a 80%. Esse índice é considerado menor entre as pessoas que possuem uma renda menor que dois salários mínimos (equivalente a R$ 3.242), registrando 65%.

Resultados otimistas

Realizado nos dias 12 e 13 de maio, o levantamento aconteceu em um período onde a taxa de ocupação, pela qual mede o percentual de pessoas que estão em busca de um trabalho, está em um nível historicamente baixo, registrando cerca de 6%, pelo qual chegou a estar quase nos 15% durante o período de pandemia da Covid-19.

Em outra pergunta realizada sobre o mesmo tema, quase 60% dos entrevistados afirmaram que a possibilidade de ficar sem trabalho não é uma coisa que lhes causa medo. Para 21%, é o que mais lhes dão medo. Por fim, 20% dizem que esse é um dos assuntos que despertam esse sentimento.

O percentual atual dos trabalhadores despreocupados é maior entre as pessoas com uma renda superior a 10 salários mínimos (75%), com 60 anos ou mais (65%) e as mais escolarizadas (61%). Entre os indivíduos com uma renda de até dois salários mínimos, pessoas de 16 a 24 anos e as faixas menos escolarizadas, o índice é de 50%.

Em julho de 2019, última vez que o instituto realizou esse mesmo questionamento, 41% das pessoas afirmaram não terem medo da falta de emprego. Enquanto isso, 31% disseram que era o mais dava medo. Por fim, 26% se preocupavam com o assunto.

Reflexo do fim da escala 6×1 na vida do trabalhador

Em contrapartida, conforme noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, o cientista político Magno Karl concedeu uma entrevista exclusiva e falou sobre a mudança da jornada de trabalho em um modelo econômico como o do Brasil. O especialista afirmou que é preciso avaliar sobre os benefícios conquistados para o trabalhador.

“A gente precisa avaliar se também numa economia, com as características da economia brasileira, que tem muita gente, por exemplo, trabalhando no setor informal, muita gente trabalhando como pessoa jurídica, se essa mudança política, de fato, se refletirá em impactos benéficos na vida do trabalhador”, afirma, citando uma certa complexidade além do desejo do próprio trabalhador.

Demissões em massa

Ainda segundo O Brasilianista, Filipe Eduardo Martins Guedes, especialista em Economia, coordenador dos cursos de Gestão da FAPI – Centro Universitário de Pinhais, também concedeu uma entrevista exclusiva e falou sobre possíveis demissões em massa com a mudança da jornada de trabalho semanal.

“Empresas podem optar por acelerar a automatização de alguns processos ou de fato proporcionar uma redução de quadro para compensar. O risco maior recai sobre pequenas e médias empresas, que não têm fôlego financeiro para absorver custos adicionais”, afirma.

Contudo, ele acrescenta: “Há estudos com sinais diferentes, o Ipea diz que não há relação mecânica entre reduzir jornada e destruir emprego e lembra que choques relevantes de custo do trabalho, como alguns reajustes do salário mínimo, não derrubaram automaticamente o nível de emprego. Já a literatura acadêmica também aponta que parte das empresas reage com reorganização interna, racionalização e até substituição por máquina, o que reduz o efeito positivo automático sobre contratação. Não há base séria para cravar demissão em massa como regra geral, mas há risco setorial de ajuste maior onde a folha pesa muito e a margem é curta”.

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