Uma ONG controlada por Karina Ferreira da Gama, mesma dona da produtora Go Up Entertainment que foi responsável por realizar o filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”, apresentou pelo menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais irregulares na capital de São Paulo.
Reportagem do g1 mostrou que as prestações de contas da ONG mostram documentos irregulares, como notas de valores milionários cancelados, recibos sem valor fiscal que justifique os gastos de até R$ 4,3 milhões em fatura única, de junho de 2024 a dezembro de 2025.
A instituição é investigada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, além de possuir um contrato de R$ 108 milhões com a gestão de Ricardo Nunes (MDB) para a instalação de pontos de Wi-fi gratuitos na periferia.
A prefeitura indicou que, além de não haver indícios de irregularidades, desvios ou ilegalidades na execução do contrato, não há qualquer relação entre o contrato com a ONG e o filme da trajetória do ex-presidente. Karina disse que desconhece as notas canceladas por fornecedores e também que as inconsistências nas notas emitidas pelo próprio instituto estão sendo resolvidas.
Os desdobramentos dessa nova investigação podem atingir diretamente senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que admitiu ter recebido financiamento privado para financiar o filme de seu pai.
Entre os investidores do projeto, estava Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que responde por uma fraude bancária bilionária, além de ser investigado por atuar como miliciano em organizações criminosas e corrupção. Flávio teria solicitado cerca de US$ 24 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época das transações, para ajudar nos custos do filme.
O primogênito do ex-presidente, afirmava antes das revelações que não possuía nenhum vínculo pessoal ou comercial com Vorcaro ou o Master. Outras inconsistências surgiram nas declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e Mário Frias, produtor executivo do filme.
As contradições do caso
Até o momento, não há informações sobre algum crime cometido por Flávio Bolsonaro. Mas o caso do filme Dark Horse pode fazer com que as autoridades responsáveis pelo Caso Master também iniciem uma investigação relacionada às fraudes cometidas por Daniel Vorcaro, prejudicando a imagem de Flávio junto ao eleitorado.
Nos áudios vazados, Flávio Bolsonaro chama Vorcaro de “irmão” e, em uma ocasião específica, um dia antes do banqueiro ser preso, o senador enviou uma mensagem em que dizia “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.
Já o Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que não estava envolvido com movimentações do dinheiro nos EUA do fundo de investimento que financiou o filme, visto que seu status migratório não permitiria que isso acontecesse sem o governo americano puni-lo.
No entanto, documentos obtidos com exclusividade pelo Intercept, mostram que o segundo filho de Bolsonaro atuou como produtor-executivo de “Dark Horse” e tinha responsabilidade e poder sobre a gestão financeira do projeto.
O deputado federal e também produtor-executivo do filme, Mário Frias, apresentou outras divergências sobre o caso. Primeiramente, ele indicou que não havia “um único centavo” de Daniel Vorcaro na produção. Voltou atrás logo após o comentário, afirmando que o Master e Vorcaro eram investidores indiretos.
Quem é Karina Ferreira da Gama?
Karina, ligada ao deputado Mário Frias, possui ao menos cinco empresas vinculadas ao seu nome, incluindo a Go7 Assessoria, Go Up Entertainment e o próprio Instituto Conhecer Brasil. No entanto, não há qualquer registro de lançamento de filme no Brasil ou exterior da produtora Go Up Entertainment.
As outras duas empresas registradas em nome de Karina também nunca registraram nem lançaram produções para cinema ou televisão.

