Mesmo sem ainda ter sido lançado, o filme “Dark Horse”, que contará a história de Jair Bolsonaro, já se apresenta como um problema para Flávio Bolsonaro. O filho mais velho do ex-presidente foi escolhido pelo PL para as eleições de 2026 porque o pai está inelegível desde que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de 2025.
Fato é que a escolha de um ator que já foi astro de Hollywood, como Jim Caviezel, para dar ares de supreprodução ao filme, não redeu os frutos esperados pelo partido. Além do financiamento ligado a Daniel Vorcaro, o que coloca Flávio no escândalo do Banco Master (mesmo sem comprovação de crime até o momento), o longa traz uma linguagem muito radical.
Não à toa, em matéria publicada nesta segunda-feira (25), o Financial Times afirmou que o “filme é uma comédia de erros”.
Radicalismo não convence quem precisa
“Dark Horse” agrada uma bolha bolsonarista que já irá votar em Flávio independentemente do filme. Basta assistir a alguns segundos do trailer para entender. Frases como “ele era a voz do povo e enfrentou o sistema” deixam a mensagem do filme clara: ele atende muito mais ao bolsonarismo radical, não traz uma narrativa que convença quem não é radical a votar no Flávio.
Em uma eleição tão apertada quanto esta promete ser, em que o candidato do PL e o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aparecem constantemente nas pesquisas de intenções de voto com empate técnico, o detalhe fará diferença e, neste momento, o filme cumpre o oposto do seu objetivo: acaba por afastar o eleitor de centro, que é aquele que o PL tem que conquistar.
Bolsonarismo perdeu força?
A conversa entre Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro sobre o pedido de dinheiro para patrocinar “Dark Horse” foi exposta pelo InterceptBrasil. Apesar da primeira negativa, posteriormente o filho de Jair confirmou que buscou o banqueiro com essa finalidade — a contradição é citada abertamente em Brasília como o maior erro de Flávio.
O portal revelou mensagens, áudios e comprovantes bancários que detalham uma negociação de cerca de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. Com a divulgação, Flávio chegou a cair levemente nas pesquisas eleitorais.
Luiz Renato Ribeiro Ferreira, sociólogo, mestre em Ciência Política e especialista em Gestão e Avaliação de Políticas Públicas pela Universidad de Deusto na Espanha, entende que o escândalo afetou muito mais a família Bolsonaro do que a direita como um todo.
“Em um passado recente, o bolsonarismo foi tratado como uma espécie de categoria política ou categoria de pensamento, que superava o sobrenome da família e se apresentava quase como um Conceito, uma corrente política própria. Entretanto, os últimos movimentos e decisões do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfraqueceram o ‘conceito’ e fortaleceram a ‘genética’, ou seja, aquilo que se apresentava como uma ideia, um conceito, demonstrou ser mais um projeto de poder familiar”, comenta.
Ele afirma que o bolsonarismo ainda é muito dependente de Jair. “Porém, em um futuro breve, teremos novas figuras importantes da direita, que eventualmente poderão romper com a família para seguir sua vida própria. Fiquem de olho em Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Otoni de Paula”, alerta.
Confira o trailer de Dark Horse
O filme traz a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro, em 2018, incluindo o episódio da facada. Pelo trecho divulgado por Flávio, já é possível perceber a abordagem “heroica” do personagem.

