O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou para os Estados Unidos e pretende se reunir nesta terça-feira (26) com o presidente norte-americano Donald Trump, em Washington.
A viagem ocorre em meio à crise política provocada pela divulgação de mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e integra uma tentativa de criar uma agenda positiva para a pré-campanha presidencial do parlamentar.
Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que uma imagem ao lado de Trump pode ajudar a reduzir o desgaste político provocado pelo caso Vorcaro.
O senador caiu nas pesquisas após a divulgação de áudios em que solicita R$ 134 milhões ao banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A articulação da viagem contou com apoio do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, responsável por ampliar interlocuções com setores ligados ao trumpismo nos Estados Unidos. Até o momento, a Casa Branca não confirmou oficialmente o encontro entre Trump e Flávio.
O movimento também estabelece um paralelo político com a visita realizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Casa Branca no início deste mês.
Apesar das diferenças de contexto, os dois encontros ocorreram em meio a disputas políticas internas e buscaram ampliar capital político a partir da relação com Trump.
Lula priorizou comércio e tarifas em encontro oficial
O Brasilianista mostrou que Lula e Donald Trump se reuniram em Washington no dia 7 de maio em uma agenda oficial que durou quase três horas.
O encontro ocorreu após meses de tensão diplomática envolvendo comércio, imigração, crime organizado e disputas geopolíticas internacionais.
Trump classificou Lula como um presidente “muito dinâmico” e afirmou que os dois discutiram principalmente comércio bilateral e tarifas econômicas entre Brasil e Estados Unidos. Os líderes também sinalizaram possibilidade de novos encontros nos próximos meses.
Os representantes dos dois países devem voltar a se reunir para discutir possíveis revisões nas tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. O tema vinha sendo tratado desde o adiamento da reunião inicialmente prevista para março.
Após o encontro, Lula declarou que conversou com Trump sobre cooperação no combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional.
O presidente brasileiro também afirmou que o país está aberto a parcerias internacionais envolvendo minerais de terras raras, desde que respeitadas condições estratégicas brasileiras.
A agenda de Lula teve caráter institucional e incluiu temas diplomáticos e econômicos ligados à relação bilateral entre os dois países.
O governo federal divulgou imagens da reunião e ressaltou a parceria histórica entre Brasil e Estados Unidos ao longo de mais de dois séculos de relações diplomáticas.
Viagem de Flávio ocorre sob pressão eleitoral
Diferentemente do encontro entre Lula e Trump, a viagem de Flávio Bolsonaro ocorre em contexto eleitoral de desgaste político interno.
A aproximação com o presidente norte-americano surge como tentativa de reconstruir a narrativa da pré-campanha bolsonarista após o impacto do caso Banco Master.
O Brasilianista apontou que o episódio envolvendo Daniel Vorcaro reacendeu debates dentro da direita sobre a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro como sucessor político do ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa presidencial deste ano.
O portal ouviu o sociólogo Luiz Renato Ribeiro Ferreira, mestre em Ciência Política e especialista em Gestão e Avaliação de Políticas Públicas pela Universidad de Deusto, na Espanha.
Segundo o pesquisador, parte significativa do eleitorado bolsonarista reagiu rapidamente à candidatura de Flávio, principalmente entre grupos que desejam o encerramento do atual ciclo do governo Lula.
Na entrevista ao O Brasilianista, Ferreira afirmou que eventual substituição de Flávio dependeria da capacidade de transferência política dentro do próprio bolsonarismo.
O especialista também apontou que qualquer mudança de candidatura exigiria apoio direto de Jair Bolsonaro para manter coesão eleitoral.
Nomes como Ronaldo Caiado (PSD-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Michelle Bolsonaro passaram a ser observados por setores da direita como possíveis alternativas diante do desgaste envolvendo Flávio Bolsonaro.
Michelle Bolsonaro aparece entre os nomes mais competitivos do campo bolsonarista em cenários de segundo turno contra Lula. Já Zema e Caiado tentam ampliar espaço político explorando discursos ligados à segurança pública, liberalismo econômico e críticas ao Supremo Tribunal Federal.

