A Raízen (RAIZ4) tenta se recuperar extrajudicialmente de uma dívida de R$ 65 bilhões e a solução ainda não está estabelecida, causando preocupação aos investidores e conselheiros.
Até mesmo o aporte ede R$ 500 milhões de Rubens Ometto, co-controlador e presidente do conselho da Raízen, não foi capaz de ajudar a encontrar soluções para os problemas financeiros da companhia.
Reportagem do O Globo mostrou que as negociações estão em reta final e o acordo, muito provavelmente, realizará a conversão de 45% da dívida em ações, o que permite que os credores se tornem donos da maior parte da empresa — representando quase 80% da participação.
A estratégia ainda tentará uma capitalização de R$ 3,5 bilhões da Shell e, mais em breve, uma possível divisão da Raízen em duas companhias. Uma companhia seria voltada para a produção de etanol e outra para a distribuição de combustíveis. Vale lembrar que a empresa é uma joint venture entre Shell e Cosan.
Os problemas com a Raízen também levantam a necessidade de eleger um novo conselho de administração para a Raízen no primeiro trimestre de 2027, com a criação de um cargo de diretor de reestruturação (CRO).
O caso Raízen
A Raízen enfrenta, em meio ao processo de recuperação extrajudicial, uma certa resistência à parceria iniciada em junho de 2024 com a Federal Energia.
O setor se incomodou devido aos temores de que a atuação conjunta das duas companhias garanta preços abaixo dos cobrados, prejudicando seus negócios.
O incômodo é calcado em três vertentes, como mostrou O Brasilianista:
- A Federal Energia vendeu mais de 125 milhões de litros de combustível à Raízen e a uma das subsdiárias da companhia, a Petróleo Sabba, apenas entre junho e outubro de 2024;
- Dois acordos de cessão de uso de espaço pela Raízen à Federal Energia em plantas de distribuição no Ceará e no Pará, onde são produzidos mensalmente 6,8 mil m³ de gasolina e diesel;
- Cerca de R$ 980 milhões de reais foram concedidos em créditos tributários que a Federal Energia detém junto à União.
Esse dinheiro, obtido judicialmente, serve para abater o pagamento de impostos devidos pela comercialização de combustível, garantindo preços por litro de combustível entre 0,35 centavos e 0,79 centavos mais baratos, de acordo com fontes do setor.
Essa parceria garante bons lucros à empresa, que faturou R$ 4,4 bilhões em 2023, por conta de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça.
Antes da Federal Energia, a Raízen tentou comprar a Fan, pequena empresa do setor em situação similar à da Federal em relação a créditos tributários. As negociações começaram em meados de 2022, após a pequena companhia conseguir, também no STJ, R$ 400 milhões em créditos tributários.
Os casos da Federal e da Fan fazem com que concorrentes da Raízen questionem a contradição da companhia, que tenta inibir o uso de decisões judiciais no setor, com o argumento de enfrentar devedores recorrentes via o Instituto Combustível Legal, mas, ao mesmo tempo, firma parcerias com empresas beneficiadas pela situação que diz combater.

