O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) voltou ao centro de uma operação da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (26), desta vez em uma investigação relacionada ao caso Banco Master.
A nova fase da Operação Compliance Zero apura supostos desvios de recursos do Rioprevidência para fundos ligados ao banco e ocorre menos de duas semanas após Castro já ter sido alvo da PF em outra investigação de grande porte.
Como mostrou O Brasilianista, agentes federais cumprem 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação envolve aplicações bilionárias realizadas pelo fundo previdenciário dos servidores estaduais no Banco Master.
O Rioprevidência investiu quase R$ 1 bilhão diretamente no Master e outros R$ 1,6 bilhão em fundos relacionados à instituição financeira. A operação também mira possíveis irregularidades administrativas e financeiras envolvendo a gestão dos recursos públicos.
A nova ofensiva da Polícia Federal acontece poucos dias após Cláudio Castro ter sido alvo da Operação Sem Refino, que investiga suspeitas de fraudes fiscais, ocultação patrimonial e movimentações financeiras relacionadas ao grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
Operação Sem Refino atingiu residência de Castro
O Brasilianista apontou que agentes da Polícia Federal cumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Cláudio Castro, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, durante a Operação Sem Refino.
A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e também atingiu o empresário Ricardo Magro, apontado como dono do grupo Refit. A investigação apura suspeitas de utilização de estruturas empresariais para ocultação patrimonial, redução artificial de tributos e envio de recursos ao exterior.
Segundo a Polícia Federal, a operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros ligados ao grupo investigado.
As apurações também analisam possíveis conexões entre decisões administrativas do governo estadual e benefícios concedidos ao conglomerado empresarial durante a gestão de Castro.
PF investiga decisões fiscais e estrutura do governo
Como informou O Brasilianista, os investigadores analisam a sanção da Lei Complementar 225/2025, apontada pela PF como um mecanismo que teria facilitado parcelamentos bilionários ligados à antiga Refinaria de Manguinhos.
A investigação também cita mudanças em cargos estratégicos do governo fluminense, incluindo alterações na Secretaria de Fazenda e possíveis interferências em áreas técnicas responsáveis por processos tributários relacionados ao grupo Refit.
Outro ponto analisado envolve viagens oficiais e relações institucionais entre integrantes do governo estadual e representantes empresariais ligados à refinaria.
Após a operação, Cláudio Castro divulgou nota oficial negando irregularidades. “Todos os procedimentos praticados durante a sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente”, afirmou.
O ex-governador também declarou que colaborou com a operação e sustentou que sua administração atuou para cobrar dívidas da Refit com o estado do Rio de Janeiro.
Rioprevidência entrou no foco das investigações
A nova operação desta terça-feira amplia a pressão sobre aliados e ex-integrantes da gestão fluminense. O Brasilianista relembrou que Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, foi preso em fevereiro deste ano durante as investigações relacionadas aos aportes realizados no Banco Master.
Antunes teria tentado fugir de carro antes da prisão. A Justiça Federal converteu posteriormente a detenção temporária em prisão preventiva após identificar indícios de interferência na coleta de provas.
Investigadores apontaram movimentações consideradas suspeitas, incluindo formatação de sistemas de câmeras de segurança, reorganização patrimonial e transferência de objetos entre imóveis.
O Brasilianista também informou que Antunes foi indicado ao cargo por Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil.
Crise política se aprofundou após saída do governo
As investigações envolvendo Cláudio Castro ocorrem em meio à crise política enfrentada pelo Rio de Janeiro desde a saída do ex-governador do cargo, em março deste ano, para disputar uma vaga no Senado Federal.
Castro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
A Corte entendeu que houve utilização indevida da estrutura administrativa do estado durante o processo eleitoral, incluindo programas ligados à Fundação Ceperj e à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
O julgamento terminou por 5 votos a 2 e determinou a inelegibilidade do ex-governador por oito anos.
Atualmente, o Rio de Janeiro é comandado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do estado, desembargador Ricardo Couto, enquanto o Supremo Tribunal Federal discute o modelo de escolha para o mandato tampão no Executivo fluminense.

