O senador Eduardo Girão (NOVO) sinalizou nesta quarta-feira (27) que o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, pode ter se precipitado ao endurecer publicamente as críticas contra o senador Flávio Bolsonaro após o caso “Dark Horse”, produção financiada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master.
Em entrevista ao editor de política do BNews, Henrique Brinco, Girão afirmou que Zema teria agido de maneira “instantânea demais” e “dura demais” nas declarações envolvendo Flávio Bolsonaro, mas disse compreender a reação do aliado diante das suspeitas relacionadas ao caso Master.
“Talvez ele tenha sido instantâneo demais. Talvez ele tenha sido duro demais, nas palavras. Mas o Brasil precisa ser passado a limpo”, declarou o senador.
Apesar da ponderação, Girão evitou romper com o discurso adotado por Zema e reforçou que considera legítima a indignação do ex-governador mineiro diante das denúncias envolvendo Daniel Vorcaro e autoridades dos três poderes.
“É indignação dos justos do governador Romeu Zema diante de toda essa patifaria que nós estamos vendo aí dos três poderes da República”, afirmou.
O que Zema disse?
As declarações acontecem dias após Zema reafirmar publicamente críticas a Flávio Bolsonaro por causa da ligação do senador com o financiamento do filme “Dark Horse”, como mostrou O Brasilianista.
Na ocasião, Zema afirmou que o Partido Novo foi surpreendido pelo caso envolvendo Daniel Vorcaro e disse que aliados do PL haviam garantido não existir “esse tipo de envolvimento do pré-candidato com um banqueiro bandido”.
O ex-governador também declarou que pretende manter sua candidatura presidencial até o fim, mesmo diante do desgaste provocado pela crise política dentro do campo conservador.
Durante a entrevista, Girão ampliou as críticas e voltou a defender a abertura de uma CPI para investigar o Banco Master e as conexões políticas atribuídas a Vorcaro.
O senador afirmou que há necessidade de aprofundar investigações sobre encontros entre integrantes do governo federal, ministros do Supremo Tribunal Federal e parlamentares com o banqueiro.
“Tem que ser investigado tudo. Filmes, tudo que é feito com esse dinheiro”, declarou.
Girão também mencionou suspeitas levantadas pela Polícia Federal envolvendo repasses financeiros e relações políticas ligadas ao caso Master. Em um dos trechos mais duros da entrevista, classificou Vorcaro como “o maior criminoso da história do sistema financeiro do Brasil”.
As falas ampliam o desconforto dentro da direita após a repercussão do caso “Dark Horse”, apontado por aliados do PL como um dos principais focos de desgaste da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro para 2026.
Envolvimento de Flávio Bolsonato com Daniel Vorcaro
Como mostrou O Brasilianista, o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro acabou associado ao escândalo do Banco Master após a divulgação de mensagens e negociações envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar a produção audiovisual.
O caso ganhou repercussão após o Intercept Brasil divulgar áudios, mensagens e comprovantes bancários relacionados ao investimento de aproximadamente R$ 134 milhões no projeto.
Mesmo sem investigação formal contra Flávio Bolsonaro até o momento, o episódio passou a ser explorado politicamente por adversários e gerou incômodo entre setores da própria direita.
Para o cientista político Luiz Renato Ribeiro Ferreira, mestre em Ciência Política pela Unicamp, o desgaste provocado pelo caso “Dark Horse” afeta mais diretamente a família Bolsonaro do que a direita de maneira ampla.
Segundo o especialista, o bolsonarismo perdeu parte da característica de movimento político mais amplo e voltou a se concentrar na própria estrutura familiar do ex-presidente.
“Em um passado recente, o bolsonarismo foi tratado como uma espécie de categoria política ou categoria de pensamento, que superava o sobrenome da família e se apresentava quase como um Conceito, uma corrente política própria. Entretanto, os últimos movimentos e decisões do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfraqueceram o ‘conceito’ e fortaleceram a ‘genética’, ou seja, aquilo que se apresentava como uma ideia, um conceito, demonstrou ser mais um projeto de poder familiar”, comenta.

