Nesta sexta-feira (29), Luiz Inácio Lula da Silva disse que irá reenviar o nome de Jorge Messias para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) deixada por Luís Roberto Barroso em outubro de 2025. A fala aconteceu durante um evento em Sergipe.
O assunto reacende um debate, uma vez que em abril deste ano, a indicação já foi rejeitada pelo Senado, por 34 votos favoráveis e 42 contrários.
Um levantamento da Ativaweb DataLab analisou quase 70 milhões de menções públicas no Instagram, X, YouTube, Facebook e TikTok entre os 27 dias antes da sabatina de Messias e obteve como resultado que 70% das manifestações eram favoráveis a ele, algo que gira em torno de 43,9 milhões de interações.
Quem é Jorge Messias?
Messias é advogado formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e com ampla experiência no serviço público federal.
Durante o governo de Dilma, Messias assumiu a subchefia para assuntos jurídicos da Casa Civil, função estratégica que o colocou em contato direto com o núcleo político do Executivo. No período de Lula, ele ficou responsável por coordenar a equipe jurídica do governo de transição.
Em 2023, ele assumiu a liderança da Advocacia-Geral da União (AGU), órgão responsável por defender os interesses do governo perante o Judiciário.
Relembre a sabatina
Apesar do nome de Messias ter surgido no fim de 2025, foi apenas no início de 2026 que Lula oficializou a indicação dele a vaga deixada por Barroso. Apesar da aprovação em um primeiro momento Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, no plenário, ele não obteve os votos mínimos para eleição (41).
Durante a sabatina, o indicado tratou de temas sensíveis e polêmicos, como a questão da laicidade do Estado e os atos de 8 de janeiro em Brasília.
Apoio da Rede D’Or
Como já divulgado por O Brasilianista, Messias tem mais que “apenas” o apoio de Lula para assumir como ministro do STF. Fontes afirmaram ao portal que a Rede D’Or, um dos maiores grupos do setor de Saúde brasileiro, também incentiva esse movimento.
A empresa teria ainda mapeado no Senado quem era a favor e contra a candidatura, além de, de fato, tentarem convencer pessoas contrárias a alterarem o voto, assim como os indecisos a fecharem com Messias. Como já se sabe, a tentativa foi fracassada na primeira tentativa, mas agora parece ter uma nova oportunidade.
Impacto nas eleições 2026
Após a derrota de Messias no Senado, conversamos com Hélio Doyle, jornalista, professor aposentado da UnB e consultor político, sobre os possíveis impactos da negativa nas eleições que acontecem em outubro deste ano.
“Não há relação direta entre a rejeição e o voto em outubro. O eleitorado que ainda não se decidiu entre [Flávio] Bolsonaro e Lula não vai decidir o voto porque o Senado rejeitou uma indicação ao STF”, defendeu. Para ele, o que poderia impactar seria a condução do governo da situação diante da rejeição.

